terça-feira, 24 de setembro de 2013

Guerra no Coração - O Governo Soberano do Senhor

Ele está no comando de tudo, e tem a palavra final em todas as coisas... Nenhum nome e nenhum poder [estão] isentos do seu governo (Ef 1.21-22).

A guerra no coração é no fundo uma guerra por controle. O que geralmente as pessoas fazem “é tentar controlar as coisas materiais, a vida física, os sentimentos, e, outros”. No, entanto, quando sofremos perdas percebemos que não temos controle de nada, especialmente sobre uma doença, sobre perdas materiais (dinheiro, bens...) e outros.


O Dr. Paul Tripp diz que “apenas quando me submeter ao governo de Deus o qual tem um plano perfeito e exerce controle completo, é que começarei a viver e a falar como ele tinha projetado...” (in “Guerra de Palavras”, p. 69).
Ora, devemos buscar a submissão e obediência a Deus para que tudo possa acabar bem (Tg.1.25). Note que os mandamentos e princípios de Deus fluem das Escrituras e encontram seu significado na pessoa e na obra de Cristo (Cl 1.9-14).
Veja, ainda, que Deus governa todas as coisas por nossa causa:
“Desde a eternidade e pelo mui sábio e santo conselho de sua própria vontade, Deus ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece (Is 45.6,7; Rm 11.33; Hb 6.17), porém de modo que nem Deus é autor do pecado (Sl 5.4; Tg 1.13-17; 1Jo 1.5), nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou a contingência das causas secundárias, antes estabelecidas (Mt 17.12; Jo 19.11; At 2.23; At 4.27-28; At 27.23,24,34)” (CFW, III, I).
Entretanto, dizer que Deus governa todas as coisas por nossa causa não significa que ele governa todas as coisas para que possamos ter o que quisermos. Ora, o “seu governo é redentor. Ou seja, ele controla o universo de modo que o seu propósito redentor por nós e suas promessas redentoras para nós sejam cumpridas. Ele governa para que a justificação, a santificação e a glorificação que ele prometeu sejam garantidas. Para esse fim o Messias veio, invadiu o reino das trevas e libertou seu povo para a sua glória no reino da luz (Cl 1.9-14). Para garantir isto, Deus tem governado todas as coisas desde a eternidade passada e continuará até a eternidade futura. Paulo diz isso de Cristo...” (op.cit., ler o texto de Ef. 1.20-23).


Paulo agradece a Deus pela fé que os efésios têm no Senhor Jesus. Paulo pratica uma oração contínua (1Ts 5.17; Ef 6.18; Rm 12.12; Cl 4.2) e gratulatória (Ef 5.19ss; Fp 4.6; Cl 3.15-17 e 4.2; 1Ts 5.18).  Francis Foulkes diz que “[...] a fé que possuíam era evidente, não apenas inteiramente em suas vidas espirituais, mas também em seus relacionamentos com todos os companheiros cristãos”. O apóstolo por isso agradece, também, o amor que é demonstrado para com todos os santos.
Ora, há três questões iniciais que trabalham na “contingência das causas secundárias” e que nos impedem de ver o Reino de Deus: 1)Irritação com fatos que ocorrem ou pessoas; 2)Inveja de pessoas que parecem ter uma vida mais fácil que a nossa; 3)Falta de visão, especialmente quando a nosso louvor está limitado somente a bons momentos como cura física, provisão financeira, circunstâncias positivas, relacionamentos restaurados, problemas resolvidos...           
Perceba que Deus governa cada detalhe de nossas vidas. Seu governo não é distante ou impessoal. Ao contrário ele governa todos os detalhes para que nós possamos encontrá-lo: De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar. Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós” (At 17.26-27).
Nós necessitamos entender que para sermos vitoriosos precisamos nos submeter a Deus e ao seu governo soberano. Podemos aplicar o texto em apreço (Ef 1.21-22):
Primeiro, Ele está no comando de tudo;
Segundo, Ele tem a palavra final em todas as coisas...
Terceiro, nenhum nome e nenhum poder [estão] isentos do seu governo.
“Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido” (1Pe 5.6, NVI).
Você tem vencido a guerra no coração?
Você tem praticado o governo redentor do Senhor?
O que está faltando?



Bibliografia

Bíblia. (1998-2010). Bíblia Alfa Digital 1.3. Santo André/SP: Geográfica Editora.
Bíblia. (2002). Bíblia Online 3.0. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
Calvino, J. (2010). Comentário Gálatas - Efésios - Filipenses Colossenses. São José dos Campos/SP : Editora Fiel.
Foulkes, F. (1963?). Efésios, Introdução e Comentário. São Paulo/SP: Edições Vida Nova e Editora Mundo Cristão.
Hendriksen, W. (1999). Comentário do Novo Testamento, Gálatas. São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Henry, M. (2004). Comentário Bíblico de Mattew Henry. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus.
Tripp, D. P. (2011). Guerra de Palavras. São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Westminster, A. d. (2005). Símbolos de Fé: contendo Confissão de Fé, Catecismo Maior e Breve. São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Yarbrough, W. A. (2002). Descobrindo o Novo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã.


     

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

GUERRA NO CORAÇÃO

Tiago 4.1-10

Ficamos por vezes perplexos com a violência, os tumultos e as guerras à nossa volta, entretanto, existem coisas mais terríveis do que isso.


Perceba que vida por si só já é uma guerra, pois há um conflito intenso e global que está em andamento entre Deus e satanás. Paulo em Efésios 6.11-12 diz que a natureza dessa luta é espiritual: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”.

O coração é o centro de todas as guerras

1De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês?” (Tg 4.1, NVI)  Ora, o coração humano é definido como um órgão que bombeia sangue. No sentido figurado é a sede do intelecto (Gn 6.5), dos sentimentos (1Sm 1.8) e da vontade (Sl 119.2). 


O profeta Jeremias mostra a realidade desse coração: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17.9).


Jesus disse que é de lá procedem todos os “maus desígnios” e com isso “contaminam as pessoas”: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem...” (Mt 15.19-20).


Por isso o sábio Salomão recomenda importante prudência em guardar o coração: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23).




Sem perceber trocamos lá no coração o amor, a honra, a glória e a gratidão devidas a Deus e o amor as pessoas por uma adoração a nós mesmos. Paul David Tripp afirma que a adoração é algo inato ao ser humano
 “[...] Todos os seres humanos são adoradores; a questão é tão somente ao que ou a quem nós adoramos. A idolatria rende adoração que pertence a Deus a alguma aspecto da sua criação. Pode ser um anseio por amor, respeito, apreciação ou aplauso humano. Pode ser determinada pessoa, posição, condição econômica ou situação de vida. Não há fim para a lista de coisas criadas que podem substituir Deus como objeto da nossa adoração...”                   (in “Guerra de Palavras”, Cultura Cristã, 2011, p. 61).

Note que o “coração idólatra” busca por controle e esse controle traz exigências, que por sua vez são identificadas por falsas necessidades. Uma vez que essas necessidades não são satisfeitas, elas trazem desapontamentos e punições.

O gráfico abaixo dá uma ideia melhor:





O escritor bíblico mostra com tremenda realidade como acontece essa guerra no coração, uma vez que  os alvos e os motivos do coração são diferentes daqueles propostos pelo Criador: 2Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem. 3Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres” (Tg 4.2-3, NVI).

Ora, Deus concede a sua graça ou seu favor para aqueles que se humilham diante do Senhor, em temor reverente: 5Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes? 6Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes...” (Tg 4.5-6, NVI).


O que fazer para mudar o coração?


Tiago nesse texto repete duas formas literárias do Velho Testamento: a profecia e os textos de sabedoria. Com isso mostra que essa guerra no coração só pode ser vencida com uma mudança radical de vida.


Quais as mudanças radicais que o Senhor quer empreender?

Primeiro, RECONHECER O QUE ESTÁ ERRADO. Tiago diz que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus: 4Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus” (Tg 4.4).  Ora, “[...] Há duas amizades, a de Deus e a do mundo. São incompatíveis e irreconciliáveis, e temos, portanto de escolher para nós uma das duas... A pessoa que deseja ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus...” (Davidson, 1972, p. 1395). 


Jesus disse que não é possível servir a Deus e o mundo ao mesmo tempo (Lc 16.13, NVI): “Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará outro, ou se dedicará a um e desprezará outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.

Segundo, RENUNCIAR AOS ÍDOLOS DO CORAÇÃO. O apóstolo, inspirado pelo Espírito do Senhor, mostra que atitudes de renúncia devem ser tomadas para desfocar esses ídolos do coração - “limpar as mãos”, “purificar o coração” e “humilhar-se diante do Senhor”:  7bPecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração... 9Entristeçam-se, lamentem-se e chorem... 10Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará” (Tg 4.7b,9-10, NVI)

Terceiro, APLICAR OS PRINCÍPIOS DE DEUS. Ora, há três atitudes que devem ser tomadas na aplicação dos princípios de Deus - “submetam-se a Deus”, “resistam ao diabo” e “aproximem-se de Deus”:  7aPortanto, submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês.  8Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês!”(Tg 4.7a-8, NVI).  

Para terminar, quero convidar você a uma mudança radical de vida. Há várias maneiras de estar perdido, mas uma só maneira de ser salvo. Entregue-se àquele que trouxe paz aos corações, Jesus Cristo. Ele disse: "Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo" (Jo 14.27, NVI). 



Bibliografia

Bíblia. (1998-2010). Bíblia Alfa Digital 1.3. Santo André/SP: Geográfica Editora.
Bíblia. (2002). Bíblia Online 3.0. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
Davidson, F. (1972). O Novo Comentário da Bíblia. São Paulo/SP: Edições Vida Nova.
Powlison, D. (1996). Ídolos do Coração & Feira de Vaidades. Brasília/DF: Refúgio.
Tripp, D. P. (2011). Guerra de Palavras. São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Westminster, A. d. (2005). Símbolos de Fé: contendo Confissão de Fé, Catecismo Maior e Breve. São Paulo/SP: Cultura Cristã.

Yarbrough, W. A. (2002). Descobrindo o Novo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã.

terça-feira, 23 de julho de 2013

REAÇÕES DIANTE DA MALDADE

O Presb. Rubem Amorese, que foi consultor do legislativo do Senado Federal, disse muito lucidamente (via facebook, em 26/6/13), que precisamos matutar o texto abaixo e tentar entender porque o povo brasileiro está nas ruas. Citou Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (1814-1876), que foi um teórico político russo, um dos principais expoentes do anarquismo em meados do século XIX: “[...] assim, ...chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana...”. 



Já falamos que cerca de cem anos atrás o profeta Jonas havia profetizado sob a cidade, mesmo contra a sua vontade. O Senhor o havia chamado para pregar e profetizar sobre ela. Ora, os ninivitas creram no Senhor, se arrependeram dos seus pecados e Deus não os destruiu (Jn 3.1-10 e 4.10). Contudo, eles deixaram o Senhor, pois antes de sua destruição muitos praticavam magia e adivinhação e o profeta a descreveu a cidade como prostituta e mestre de feitiçarias (Na 3.4,5). Observe que nessa cidade ficava o templo de Ishtar; este era representado por uma deusa-meretriz, portanto a imoralidade sexual era algo comum (Beyer, 2001, pp. 457-458). O que podemos dizer é que eles tinham abandonado o Senhor e ainda subjugado de maneira atroz, o povo de Deus, no primeiro cativeiro em 722 a.C. (Schultz, 1977, p. 161). 


Isaltino Gomes mostra que DEUS PUNE A CRUELDADE: “[...] Nínive era a capital da Assíria. Dois nomes, Nínive e Assíria, são intercambiados, usados para designar a mesma potência.  A cidade era assustadora.  Além do poderio militar, que a fez assombrar o mundo por pelo menos meio milênio, Nínive era de uma incrível crueldade, além de seu grosseiro paganismo. Um de seus métodos para tratar os vencidos era o do empalamento: atravessar  a pessoa com uma estaca afiada, que ia do ânus em direção ao tronco. O esfolamento, em que a pele da pessoa era tirada, com prática e com requintes de desumanidade, era um outro método de tratar os vencidos. Geralmente, conquistada uma cidade, alguns de seus habitantes eram levados como escravos para trabalhar na construção, mas outros, impossibilitados para o trabalho forçado, como doentes e idosos, eram levados como exemplo. Às portas de uma outra cidade sitiada, eram empalados ou esfolados, como sinal do que aconteceria aos moradores da cidade cercada se esta não se rendesse. Por tudo isto, Nínive era temida pelas pequenas nações que lhe pesados pagavam tributos para poder viver em paz. E assim entendemos o porquê da linguagem tão dura empregada pelo profeta, por ordem divina, à cidade. Deus pune a crueldade. E em matéria de crueldade, Nínive era imbatível...”.


DEUS TEM UM CARÁTER RETRIBUTIVO, “Lançarei sobre ti imundícias, tratar-te-ei com desprezo e te porei por espetáculo” (Na 3.6).
Veja que em Na 1.6 profeta descreve um Deus zeloso, mas com um caráter vingativo sobre os seus inimigos: “Quem pode suportar a sua indignação? E quem subsistirá diante do furor da sua ira? A sua cólera se derrama como fogo, e as rochas são por ele demolidas”. Outros textos refletem, também, esse caráter; alguns exemplos:
·         Nos mandamentos e diante de Faraó - “Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”(Êx 20.5); “Porque o SENHOR, teu Deus, é fogo que consome, é Deus zeloso” (Dt 4.24);  
·         No tempo de Josué - “Então, Josué disse ao povo: Não podereis servir ao SENHOR, porquanto é Deus santo, Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados” (Js 24.19);
·         No tempo de Paulo, um texto ímpar - “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.17-19);
·         Aos Hebreus - “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Hb 12.28-29);
·         No Apocalipse - “Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?... Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso” (Ap 6.15-17; 19.15).
Ao mesmo tempo, Deus é tardio em irar-se e de grande compaixão para com os que se humilham e arrependem:
·         “E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!” (Êx 34.6-7); “O SENHOR é longânimo e grande em misericórdia, que perdoa a iniquidade e a transgressão, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta gerações”(Nm 14.18);
·         Nos Salmos - “O SENHOR é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno” (Sl 103.8) e “Benigno e misericordioso é o SENHOR, tardio em irar-se e de grande clemência. O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras”. (Sl 145.8-9). 
O julgamento dos ninivitas será severo, pois além da crueldade eles teriam recebido a misericórdia anos atrás, com Jonas. Foram advertidos, arrependeram-se, foram perdoados, mas teriam voltado à iniquidade e crueldade. Diz Ezequiel 18.20-27: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este. Mas, se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que é reto e justo, certamente, viverá; não será morto. De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou, viverá. Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso?  - diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?  Mas, desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade, fazendo segundo todas as abominações que faz o perverso, acaso, viverá? De todos os atos de justiça que tiver praticado não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu e no seu pecado que cometeu, neles morrerá. No entanto, dizeis: O caminho do Senhor não é direito. Ouvi, agora, ó casa de Israel: Não é o meu caminho direito? Não são os vossos caminhos tortuosos? Desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade, morrerá por causa dela; na iniquidade que cometeu, morrerá. Mas, convertendo-se o perverso da perversidade que cometeu e praticando o que é reto e justo, conservará ele a sua alma em vida”.
As palavras de Hebreus 2.1 são solenes advertências: “Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas”.


QUAIS AS IMPLICAÇÕES? 
As reações mais comuns contra a crueldade devem ser analisadas:
1ª.) Isso implica em reagir com a “lei da selva” ou “guerra de prevenção”, isto é, faça ao outro antes que ele faça com você. Vemos isso quando Faraó manda matar os meninos hebreus antes que se tornassem uma ameaça. Caso semelhante ocorre com Herodes que manda matar as crianças, antes que o “rei” Jesus pudesse ascender.
2º.) Isso implica em reagir com a “lei do talião”, usando a mesma forma ou força usada, como está registrado na lei: “mas se resultar dano, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (cf. Êx 21.23-25).
3º.) Isso implica, ainda, em reagir com a “lei do senso comum”, isto é, faça ao outro como você quer que ele faça a você, onde a “virtude não é virtude, mas apenas moeda de troca”.


COMO DEUS QUER QUE REAJAMOS? 
O plano glorioso de Deus implica em reagir com a “lei de Cristo”, isto é, “ame até seus inimigos”. Vejam alguns versículos:
Mateus 5.43-48: “Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os gentios também o mesmo? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial”.
Romanos 13.8-10: “A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei. Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei”.
Gálatas 5.14 e 6.1-2: “Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” e “Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para que também tu não sejas tentado. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”.
CONCLUSÃO: “[...] Quando os pecadores soberbos são derribados, os demais devem aprender a não exaltarem a si mesmos. A queda desta grande cidade deve ser uma lição, particularmente para as pessoas que aumentam as suas riquezas através de fraudes e opressão. Estão preparando inimigos contra si mesmos; e se o Senhor se compraz em castiga-los neste mundo, não terão ninguém que se compadeça deles. Todo homem que busca a sua própria prosperidade, segurança e paz, não somente agirá de forma correta e honrosa, mas com bondade para com todos... As fortalezas, mesmo as mais poderosas, não tem defesas contra os juízos de Deus, serão incapazes de fazer algo a seu próprio favor... Os que tem feito o mal ao seu próximo perceberão que o mal se torna contra eles. Nínive e muitas outras cidades, estados e impérios tem sido destruídos, e deveriam nos servir de advertência. Quando o Senhor se mostra contra um povo, tudo aquilo em que confiam deve falhar ou resultar em desvantagens; porem, Ele continua fazendo o bem a Israel. Ele e uma fortaleza para todo crente em tempos difíceis, a qual não pode ser assaltada nem tomada; e conhece os que confiam nele...” (Henry, 2004, p. 1392).
Deus é o Senhor da história. Nunca perdeu e nunca perderá o domínio. Eventualmente pode demorar em seu juízo, pois seu relógio não é o nosso, mas por fim, sua vontade prevalecerá. Para os incrédulos, uma advertência. Para nós, uma promessa. Há um Deus que pune o mal e que faz sua vontade triunfar. Há um Deus que vê os adversários de seu povo e os pune no momento certo. Por isto, confiemos no poder de um Deus que conduz a história e que a faz caminhar para onde ele deseja.


Bibliografia

Berkhof, L. (2007). Teologia Sistemática. São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Beyer, B. T. (2001). Descobrindo o Antigo Testamento. São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Bíblia. (1976). A Bíblia Vida Nova (Russel Shedd, editor). São Pailo: Edições Vida Nova.
Bíblia. (1998-2010). Bíblia Alfa Digital 1.3. Santo André/SP: Geográfica Editora.
Bíblia. (2002). Bíblia Online 3.0. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
Filho, I. G. (s.d.). www.isaltino.com.br. Acesso em 19 de Julho de 2013, disponível em Isaltino Gomes Coelho Filho: http://www.isaltino.com.br/2010/11/o-profeta-naum/
Henry, M. (2004). Comentário Bíblico de Mattew Henry. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus.
Schultz, S. J. (1977). A História de Israel no Antigo Testamento. São Paulo/SP: Vida Nova.
Westminster, A. d. (2005). Símbolos de Fé: contendo Confissão de Fé, Catecismo Maior e Breve. São Paulo/SP: Cultura Cristã.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O que posso fazer pela Cidade?

“O Senhor é bom, um refúgio em tempos de angústia. Ele protege os que nele confiam” (Naum 1.7, NVI).

         

OS PROTESTOS EM SÃO PAULO E NO BRASIL

         Junho/2013 foi o mês do “redescobrimento do Brasil” para muitos, onde manifestantes e simpatizantes, que se dizem apartidários foram às ruas de muitas cidades do Brasil.
A despeito de desordens a mensagem de insatisfação foi clara e inequívoca aos membros do governo, do legislativo e do judiciário. Causou impacto e apreensão. O destino dos prédios públicos não foi uma escolha por acaso.
Essa “primavera brasileira” não pretendeu revelar novas lideranças de um único movimento. Certamente três tipos de personagens apareceram nesta oportunidade: o idealista, o conformista e o pessimista. 
Na verdade mostrou a situação real país, principalmente por três razões principais, que transgridem a Palavra de Deus:
Primeira razão, a alta carga de impostos que sobrecarrega a todos - “O rei justo sustém a terra, mas o amigo de impostos a transtorna” (Pv. 29.4).
Segunda razão, o crescimento da violência a níveis insuportáveis - “Faze cadeia, porque a terra está cheia de crimes de sangue, e a cidade, cheia de violência” (Ez 7.23). “O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina” (Sl 11.5).
 Terceira razão, a corrupção impune de governistas e outros - “Mas os teus olhos e o teu coração não atentam senão para a tua ganância, e para derramar o sangue inocente, e para levar a efeito a violência e a extorsão” (Jr 22.17). “Os teus príncipes são rebeldes e companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno e corre atrás de recompensas. Não defendem o direito do órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas” (Is 1.23).

A BÍBLIA FALA DO PASSADO

Naum, do texto acima, era natural de Elcós, mas os estudiosos não são unânimes sobre a localização da cidade. Alguns sugerem que era na Galileia (Norte) enquanto outros em Judá (Sul). Outros sugerem, ainda que a cidade era perto de Nínive, aonde Naum profetizou.
Quanto à data de Naum, podemos situar entre 663 a.C. e 612 a.C. pois em 3.8 é mencionada a queda de Tebas e em 3.19 a de Nínive (cerca de 612 a.C.), depois de um período de declínio quando os caldeus independentes se uniram aos medos e destruíram a Assíria, fundando o reino babilônico com Nabopolassar, Nabucodonosor e outros.
O Senhor é descrito pelo profeta como um Deus Soberano e temível. Embora seja “Deus zeloso e vingador” (vs. 2) por não tolerar o pecado, Ele é “tardio em irar-se” (vs. 3), Ele “é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece os que nele se refugiam” (vs. 7).

QUAIS AS LIÇÕES SOBRE DEUS?

1.       O SENHOR É BOM PARA COM OS QUE O BUSCAM
2.       O SENHOR É UM REFÚGIO EM TEMPOS DE ANGÚSTIA
3.       O SENHOR PROTEGE OS QUE NELE CRÊEM

O QUE PODEMOS FAZER PELA CIDADE?

Primeiro, orar (se possível jejuar) pela solução dos conflitos e pelas autoridades.
Segundo, buscar discernimento e sabedoria do Espírito de Deus para escolhas equilibradas.
Terceiro, sair do comodismo, do pessimismo, do criticismo e do conformismo.
Quarto, honrar as autoridades, mesmo não concordando com elas, uma vez que toda autoridade vem de Deus.
Que o Senhor nos oriente e guarde!


quarta-feira, 27 de março de 2013

Feliz Páscoa!




Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa... Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.” (1 Co. 5.7)

Ouvi em dias passados os coletores de lixo gritando aos berros na rua, em cada casa que paravam: “Caixinha de Páscoa!”. Fiquei pensando em quanta coisa foi anexada à Páscoa do Senhor.

Para a Igreja Cristã a Páscoa é palavra de origem hebraica [peh'-sakh] e significa passagem. O Dicionário de Michaelis diz que “é a “festa anual dos judeus, comemorativa de sua saída do Egito” e “festa anual dos cristãos, comemorativa da ressurreição de Cristo”, pois a ressurreição de Jesus se deu na páscoa judaica.

Analisando friamente, note que é estranha a figura do coelho, que é um mamífero e não bota ovos ser usado como “símbolo da páscoa”, e, ainda assim, assumir o papel de produtor e entregador dos ovos de páscoa. Estranho, não! 

Esta Feliz Páscoa que as pessoas almejam quando se cumprimentam - “Feliz Páscoa!”, é apenas um modismo ritualista, transitório e carente de sentido. Entretanto, o que se deve buscar é a felicidade eterna e a felicidade transitória possível. Ora esta felicidade não está em nós e não depende de nós, mas tão somente em Deus que vê em Jesus o único meio (1Tm 2.5-6). O fato de Cristo ser a verdadeira páscoa é que torna esta felicidade desejável pela fé (Hb 11.6).

O Senhor quer nos mostrar que a Feliz Páscoa não é aquela recheada de coelhos e ovos, embora a maioria de nós goste de chocolates.

A Páscoa é feliz por três razões:

Primeiro, porque lembra o povo de Deus daquilo que é novo, [para que sejamos nova massa]. É necessário compreendermos a necessidade de quebrantamento de coração [“sejais nova massa”, “sem fermento”], de uma vida cheia de maior significado, sem pecados (Sl 51.17; 2Cr 7.14).

Segundo, porque lembra que o povo santo de Deus deve lançar fora o velho fermento [do pecado]; [“lançai fora o velho fermento”]. Sem santificação ninguém pode estar na presença do Senhor (cf. 1Ts. 4.3-7; Hb. 12.14)

Terceiro, porque lembra que Cristo é o nosso exemplo de sacrifício e vitória [“Cristo o nosso Cordeiro Pascal foi imolado”]. Por causa de sua vitória na cruz somos mais que vencedores (Rm. 8.37).
Como você comemora a Feliz Páscoa? Cristo está sendo lembrado?