Tiago
4.1-10
Ficamos por vezes perplexos com a violência, os tumultos e as guerras à nossa volta, entretanto, existem coisas mais terríveis do que isso.
Perceba que vida por si só
já é uma guerra, pois há um conflito intenso e global que está em andamento
entre Deus e satanás. Paulo em Efésios 6.11-12 diz que a natureza dessa luta é
espiritual: “Revesti-vos de toda a
armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque
a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e
potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças
espirituais do mal, nas regiões celestes”.
O coração é o centro de todas as guerras
“1De
onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que
guerreiam dentro de vocês?” (Tg
4.1, NVI) Ora, o coração humano é definido como um
órgão que bombeia sangue. No sentido figurado é a sede do intelecto (Gn 6.5),
dos sentimentos (1Sm 1.8) e da vontade (Sl 119.2).
O profeta Jeremias mostra
a realidade desse coração: “Enganoso é o
coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o
conhecerá?” (Jr 17.9).
Jesus disse que é de lá
procedem todos os “maus desígnios” e com isso “contaminam as pessoas”: “Porque do coração procedem maus desígnios,
homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.
São estas as coisas que contaminam o homem...” (Mt 15.19-20).
Por isso o sábio Salomão recomenda importante prudência em guardar o coração: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23).
Sem perceber trocamos lá no coração o amor, a honra, a glória e a gratidão devidas a Deus e o amor as pessoas por uma adoração a nós mesmos. Paul David Tripp afirma que a adoração é algo inato ao ser humano:
“[...] Todos os seres humanos são adoradores; a questão é tão somente ao que ou a quem nós adoramos. A idolatria rende adoração que pertence a Deus a alguma aspecto da sua criação. Pode ser um anseio por amor, respeito, apreciação ou aplauso humano. Pode ser determinada pessoa, posição, condição econômica ou situação de vida. Não há fim para a lista de coisas criadas que podem substituir Deus como objeto da nossa adoração...” (in “Guerra de Palavras”, Cultura Cristã, 2011, p. 61).
Note que o “coração idólatra” busca por controle e esse controle
traz exigências, que por sua vez são identificadas por falsas
necessidades. Uma vez que essas necessidades não são satisfeitas, elas
trazem desapontamentos e punições.
O escritor bíblico mostra com tremenda realidade como acontece essa guerra
no coração, uma vez que os alvos e os
motivos do coração são diferentes daqueles propostos pelo Criador: 2Vocês
cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que
desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem. 3Quando
pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus
prazeres” (Tg 4.2-3,
NVI).
Ora, Deus concede a sua
graça ou seu favor para aqueles que se humilham diante do Senhor, em temor
reverente: 5Ou vocês acham
que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós
tem fortes ciúmes? 6Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a
Escritura: “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes...” (Tg
4.5-6, NVI).
O que fazer para mudar o coração?
Tiago nesse texto repete duas formas literárias do Velho Testamento: a profecia
e os textos de sabedoria. Com isso mostra que essa guerra no coração só pode
ser vencida com uma mudança radical de vida.
Primeiro,
RECONHECER O QUE ESTÁ
ERRADO. Tiago diz que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus: 4Adúlteros, vocês não sabem que
a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se
inimigo de Deus” (Tg 4.4). Ora, “[...]
Há duas amizades, a de Deus e a do mundo. São incompatíveis e irreconciliáveis,
e temos, portanto de escolher para nós uma das duas... A pessoa que deseja ser
amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus...” (Davidson,
1972, p. 1395).
Jesus disse que não é possível servir a Deus e o mundo ao mesmo
tempo (Lc 16.13, NVI): “Nenhum servo
pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará outro, ou se dedicará a um
e desprezará outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.
Segundo,
RENUNCIAR AOS ÍDOLOS
DO CORAÇÃO. O apóstolo, inspirado pelo Espírito do Senhor, mostra que atitudes
de renúncia devem ser tomadas para desfocar esses ídolos do coração - “limpar
as mãos”, “purificar o coração” e “humilhar-se diante do Senhor”: “7bPecadores, limpem as mãos, e
vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração... 9Entristeçam-se,
lamentem-se e chorem... 10Humilhem-se
diante do Senhor, e ele os exaltará” (Tg 4.7b,9-10, NVI)
Terceiro,
APLICAR OS PRINCÍPIOS
DE DEUS. Ora, há três atitudes que devem ser tomadas na aplicação dos
princípios de Deus - “submetam-se a Deus”, “resistam ao diabo” e “aproximem-se
de Deus”: 7aPortanto, submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele
fugirá de vocês. 8Aproximem-se
de Deus, e ele se aproximará de vocês!”(Tg 4.7a-8, NVI).
Para terminar, quero convidar você a uma mudança radical de vida. Há várias maneiras de estar perdido, mas uma só maneira de ser salvo. Entregue-se àquele que trouxe paz aos corações, Jesus Cristo. Ele disse: "Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo" (Jo 14.27, NVI).
Bibliografia
Bíblia. (1998-2010). Bíblia
Alfa Digital 1.3. Santo André/SP: Geográfica Editora.
Bíblia. (2002). Bíblia
Online 3.0. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
Davidson, F. (1972). O
Novo Comentário da Bíblia. São Paulo/SP: Edições Vida Nova.
Powlison, D. (1996). Ídolos
do Coração & Feira de Vaidades. Brasília/DF: Refúgio.
Tripp, D. P. (2011). Guerra
de Palavras. São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Westminster, A. d.
(2005). Símbolos de Fé: contendo Confissão de Fé, Catecismo Maior e Breve.
São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Yarbrough, W. A.
(2002). Descobrindo o Novo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã.





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