sexta-feira, 17 de agosto de 2012

FALAR OU FAZER MISSÕES?


algo que tem incomodado o meu coração já algum tempo e gostaria de compartilhar com você - "muito se fala de missões, mas pouco se faz".  Esse incômodo não está ligado tão somente  de "muito se fala de missões, mas pouco se faz", mas porque muitos acham que já estão fazendo o bastante.
Creio que poderíamos convidar preletores, missionários... Respeito quem faz isso e com boa intenção. Já organizei várias conferências missionárias e fui até diretor de um centro de missões urbanas. O que de fato acontece é que queremos a chamada “teologia de poltrona” ou de “rede espiritual”. Em outras palavras é: “ouvir, ouvir, ouvir...”, mas sem que haja comprometimento de fato com algum missionário ou com a causa missionária.
Aprendi ao longo da vida ministerial que quando convido um missionário para vir à igreja eu acabo me comprometendo com ele de alguma forma - orar, contribuir, enviar. Entretanto, se missões não está no coração do povo de Deus, não adianta falar ou "fazer conferência", pois é preciso fazer missões!
Nosso Senhor, na Grande Comissão, disse que deveríamos “fazer missões”. Note a força dos verbos: "ide", "fazei discípulos", "batizando-os", "ensinando-os"
“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mateus 28.19-20).
Há cinco “emes” das missões, aqui:
       1. O MÉTODO DIVINO – Que os discípulos soubessem que deveriam pregar o evangelho continuadamente: “Ide, portanto...”
       2. O MANDATO CULTURAL – Que os discípulos deveriam ir a todas as etnias (povo, língua, cultura, raça): “fazei discípulos de todas as nações” 
       3. A MARCA OU SINAL ESPIRITUAL – Que os novos discípulos deveriam ser batizados em nome da Trindade: “batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”
       4. A MENSAGEM PRÁTICA – Que os discípulos deveriam ensinar os novos discípulos a guardar os ensinamentos de Jesus: “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”.
       5.A MANIFESTAÇÃO DE JESUSQue os discípulos soubessem que Jesus estaria sempre com eles: “eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”.
         Vamos falar ou fazer missões?       

quinta-feira, 12 de julho de 2012

PRINCÍPIOS DA ORAÇÃO


Os caminhos servem para guiar-nos para o lugar que desejamos chegar. Assim são os princípios de Deus, são caminhos que nos guiam para o lugar que o Senhor quer que cheguemos. Uma rápida introdução ao “Pai Nosso”, no contexto reformado, mostra que existem princípios basilares da oração que devem ser observados por aqueles que querem se aproximar de Deus. 
Jesus mostra inicialmente (Mateus 6.5-8) três aspectos basilares. A oração envolve: não orar como hipócritas judeus (vs.5), isto é como atores em representações; orar dessa forma é como receber maldição nas próprias palavras. Envolve, também, não orar como os presunçosos gentios (vs.7-8), pois estes usam a verbosidade sem conteúdo (vãs repetições), não se deve assemelhar-se a eles; deve-se buscar o conhecimento dos atributos soberanos de Deus, pois Deus sabe o que temos necessidade, antes de pedirmos (Sl. 139.4). Envolve, finalmente, orar como discípulo fiel - veladamente (vs.6), pois a recompensa virá; o Senhor nos vê secretamente.
Calvino apresentou princípios sobre oração para guiar o crente em sua comunhão com Deus:
PRIMEIRO, APROXIMAR-SE REVERENTEMENTE DE DEUS: O reformador dizia que devemos elaborar nossas orações “devida e corretamente”. Isso significa que evitar o tipo de leviandade e frivolidade que recorre a Deus como uma espécie de amigo celeste, o “homem de lá de cima”. Achegar-se verdadeiramente à presença divina é ser “movido pela majestade de Deus” (Inst. III, XX, 5). 
SEGUNDO, ORAR COM UMA PERCEPÇÃO SINCERA:  de necessidade, e  penitentemente. A oração é mais do que murmúrios piedosos. Deve vir do coração, “das  profundezas”, como disse o salmista. Empregou, para descrever a oração verdadeira, verbos que frisam este princípio: na oração ansiamos, desejamos, temos fome, sentimos sede, buscamos, pedimos, suplicamos, clamamos.
TERCEIRO, ABANDONAR TODA CONFIANÇA EM NÓS MESMOS E HUMILDEMENTE SUPLICAR O PERDÃO DIVINO. Todo o propósito da oração, e na verdade da vida cristã inteira, é a glória de Deus. Isso significa que qualquer um que se põe diante de Deus para orar deve em verdadeira humildade abdicar “de todo pensamento da própria glória, despir-se de toda noção de dignidade [própria], enfim, afastar-se de toda confiança de si  [mesmo]...” (Inst.  m, XX , 8).
QUARTO, ORAR COM ESPERANÇA CONFIANTE“... Assim prostrados e subjugados de verdadeira humildade, sejamos, não obstante, animados a orar, com segura esperança de alcançar resposta” (Inst. III, XX, 11). Calvino chegou a ponto de dizer que a única oração aceitável a Deus nasce da “presunção da fé”.
Estes princípios servem para guiar cada crente em sua oração íntima, mas também se aplicam às orações comuns da igreja. De fato, Calvino afirmava que a parte principal do culto é o “múnus da oração” (Inst. III, XX, 29). Ele não tinha paciência com aqueles que alegavam que podiam adorar tão bem em casa quanto na igreja. A oração pública deve ser simples. Dizia que o canto pertence ao ministério da oração, embora ele advertisse que não devemos estar mais atentos à melodia do que ao sentido espiritual das palavras. 


sexta-feira, 22 de junho de 2012

O SEMESTRE ACABOU, O INVERNO CHEGOU...


Já estamos na última semana de Junho e em pleno inverno. Outro dia iniciamos o ano e já nos vemos planejando o final dele. Parece que estamos sempre vendo os acontecimentos na perspectiva de sua realização, de sua temporalidade. De fato as coisas acontecem rapidamente, principalmente nestes dias, entretanto, é necessário olhá-las, também, da perspectiva do “plano de Deus” e da “vontade de Deus”.
O texto de Hebreus 11.8-12 mostra que Abraão foi chamado por Deus (Gn 12.1-2), obedeceu à Sua Palavra (Gn 26.5), mas não sabia para onde estava indo - “Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu e dirigiu-se a um lugar que mais tarde receberia como herança, embora não soubesse para onde estava indo” (Hb 11.8, NVI).  
Ora, nós agimos de forma contrária ao plano de Deus, muitas vezes. Não vemos um chamado de Deus, não obedecemos à Sua Palavra e queremos “de lambuja”, ainda, saber para onde estamos indo. Por fim, ficamos irados quando o caminho é incerto!
Será que alguma coisa está errada? Quase tudo!
Vemos em Abraão que a “fé no Senhor” é o único referencial que ele conhecia uma vez que a lei de Moisés não havia sido dada, não tinha toda a Bíblia nas mãos e Jesus não tinha vindo, ainda. Entretanto, em Abraão a fé é o meio mais suficiente de todos. Se não tivermos fé não agradaremos ao Senhor e nem seremos recompensados por Ele - “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hb 11.6, NVI). 
O pregador Dwight L. Moody costumava dizer: “Se Deus é seu sócio, faça grandes planos”. Não olhe tão somente os fatos, mas creia que Deus é poderoso para agir no meio desses fatos. Em Abraão vemos que a fé obedece, caminha e realiza. Ele não procurou detalhes, pediu regalias ou barganhou, mas simplesmente creu. Ele se levantou e iniciou a jornada. Vá e faça o mesmo!
Nossas escolhas trazem sérias consequências para o futuro. Não se contente com a mediocridade, mas creia e obedeça, pois Deus tem grandes coisas!


quarta-feira, 20 de junho de 2012

“Casamento” gay e o bullying da mídia


Governo, mídia e um povo que diz uma coisa e faz outra



Os americanos estão coçando a cabeça, pelo menos as elites da mídia. Pesquisa após pesquisa de opinião pública nos Estados Unidos mostra que o público americano está cada vez mais apoiando o “casamento” gay. Mas esse apoio não está aparecendo nos plebiscitos, onde a maioria dos estados dos EUA está demonstrando rejeição a esse tipo de casamento.
Os EUA têm 50 estados e 32 dois já votaram contra o “casamento” gay. Diferente das decisões judiciais, onde um juiz ou grupo de juízes impõe uma decisão arbitrária sobre uma população inteira, o voto popular expõe a vontade dos cidadãos.
O que intriga as elites é que quando os jornalistas das grandes redes de televisão ou institutos de pesquisas perguntam ao povo americano “Você é contra ou a favor do ‘casamento’ gay?” a resposta é geralmente “sim”. Mas esse “sim” se transforma misteriosamente em “não” nas urnas.
Quando o jornalista está de olho, o cidadão parece revelar apenas o que o jornalista quer ouvir. Afinal, a mídia está carregada de preconceitos pró-homossexualismo, e joga sem dó nem piedade o rótulo de “homofóbico” no cidadão que expressa qualquer opinião contrária ao supremacismo gay. Os jornalistas são especialistas na aplicação desses rótulos. Contrariar a pergunta do jornalista é ganhar gratuitamente um rótulo indesejado. É sofrer bullying sem poder escapar. É pedir para apanhar.
O cidadão deixa para dar sua resposta para o jornalista — e para as elites — nas urnas.

Povo americano mostra nas urnas

o que tem receio de mostrar diante das câmeras

A conduta persistente dos eleitores americanos tem sido dizer uma coisa para os jornalistas e pesquisas de opinião pública e fazer outra coisa totalmente diferente nas urnas.
Por isso, os jornais com um inchado triunfalismo esquerdista comemoram as pesquisas que apontam uma maioria da população americana supostamente apoiando o “casamento” gay, para murcharem logo que um plebiscito sobre tal casamento mostra o resultado — que quase nunca reflete a vontade das elites.
No Brasil, o deputado supremacista gay Jean Wyllys já declarou que é contra um plebiscito sobre “casamento” gay porque, na opinião dele, o povo brasileiro não está preparado para fazer tais decisões.
A sugestão dele é que o povo primeiro passe por uma campanha “educativa” (lavagem cerebral) a fim de que os resultados dos plebiscitos reflitam fielmente os desejos das elites.
Enquanto essa lavagem cerebral não acontece, o risco é ver no Brasil o que se vê nos EUA: um povo que apoia o “casamento” gay diante das câmeras (deixando as elites ultra-sorridentes) e dá meia-volta volver nas urnas, deixando as elites em pânico.
Quem é que não coçaria a cabeça diante desse quadro contraditório?
Qual é a elite que não entraria em estado de pânico com o comportamento do povo, que diz uma coisa e faz outra?
Não é de admirar que as elites, para resolver o “casamento” gay e outras questões morais importantes, prefiram a intervenção de juízes e suas decisões tirânicas. Eles são confiáveis.
Quem é inconfiável é o povo.
Numa era em que tanto se fala de combate ao bullying, a pergunta é: quando haverá leis contra o bullying da mídia (e seus amigos juízes) contra o povo, de modo que as pessoas possam falar livremente e sem medo diante das câmeras o que falam claramente nas urnas?
Esse combate ao bullying deveria revogar todas as leis que foram estabelecidas contra o povo, inclusive no direito à vida.
A chamada democracia americana tem se pautado pelo desrespeito à vontade do povo, que nunca foi consultado sobre a trágica lei de aborto, que permite nos EUA desde 1973 a matança anual de milhões de bebês americanos desde o momento da concepção até o momento do parto. As elites americanas, que conseguiram impor sua vontade abortista no povo americano, trabalham para estender a todos os povos, mediante ativismo midiático, hollywoodiano e judicial, uma agenda esquerdista radical jamais sonhada pelos fundadores dos EUA. Essa agenda inclui o supremacismo gay, que já vem sendo promovido de forma prioritária pelo governo, mídia e instituições dos EUA.
Quando é que haverá leis contra o bullying da mídia, governo e instituições dos EUA, que promovem e impõem sobre as nações uma agenda de aborto e homossexualismo que o povo americano nunca aprovou?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Salmo 133 - União Evangelizadora


As pessoas vivem uma grande confusão. Estão descontentes, sempre buscando algo que nunca podem encontrar. Suas ações revelam essa confusão. Vemos isso nos relacionamentos, no trânsito, nas escolas, nas ruas, nas casas, nas construções, nas autoridades civis e até religiosas...


CONTEXTO LITERÁRIO 
“[...] A palavra “salmo” vem do grego psalmos que quer dizer um cântico ou um hino. A palavra hebraica para o livro é téhillîm e significa “louvores...” (Beyer, 2001, p. 304).

O livro contém uma coleção de cânticos do coração do povo e que refletem suas experiências pessoais. Podemos dizer que o livro dos Salmos eram o hinário do povo de Deus.


CONTEXTO HISTÓRICO 
“Alguns conjecturam que Davi escreveu este salmo por ocasião da união entre as tribos, quando todos se reuniram, por unanimidade, para fazê-lo rei. É um salmo de uso geral para todas as sociedades, menores e maiores, civis e sagradas... As tribos de Israel há muito tempo tinham interesses distintos durante o governo dos juízes, e que muitas vezes era consequência do que era mau, mas agora que eles estavam unidos sob uma cabeça comum, pois ele teria os sensatos provavelmente para o seu benefício, especialmente porque agora a arca foi fixada no templo, e com ela o lugar de seu encontro para a adoração pública e se tornou o centro de sua unidade...” (Matthew Henry Commentary, BOL 3.0, tradução do comentário em inglês).
“[...] O salmista apresenta a bondade de Deus em termos elevados. E, como os judeus tinham grande experiência em antagonismo interno, que levou a nação quase à ruína, aprenderam o inestimável valor da união...” (Calvino, 2009, p. 437)


CONTEXTO TEOLÓGICO

O tema aqui, portanto, é a “comunhão dos santos”. Na Confissão de Fé de Westminster (1649, XXIV, II) temos a doutrina que reformados presbiterianos creem sobre comunhão: 
“Os santos são, pela sua profissão, obrigados a manter uma santa sociedade e comunhão no culto de Deus e na observância de outros serviços espirituais que tendam à sua mútua edificação, bem como a socorrer uns aos outros em coisas materiais, segundo as suas respectivas necessidades e meios; esta comunhão, conforme Deus oferecer ocasião, deve estender-se a todos aqueles que em qualquer lugar, invocam o nome do Senhor Jesus. Ref. Hb.10:24-25; At.2:42,46; 1Jo.3:17; At. 11:29-30”.


CONTEXTUALIZAÇÃO 

As pessoas, em geral, não conseguem estabelecer uma visão crítica sobre os ajuntamentos. Na verdade há uma grande diferença entre reunião e união. As pessoas podem reunir-se por preferências individuais próprias da pós-modernidade, como por exemplo, num teatro, num estádio de futebol e em outras aglomerações sem que estejam unidas. A união revela razões e sentimentos existenciais baseados na singularidade da criação de Deus, isto é, na humanidade criada como “imagem de Deus”, hoje distorcida pelo erro trazido pelos primeiros pais, Adão e Eva.

O texto trata da comunhão dos santos, mas essa não é a comunhão vivida pelos cristãos hoje em dia, pois a Igreja, muitas vezes, não é o lugar que faz os que crêem verdadeiramente “sentirem-se em casa”: 
“[...]Com isto queremos afirmar que não basta ao crente ter o conhecimento da Palavra de Deus. Ele almeja sentir-se parte do grupo. Sim, ele espera ser edificado espiritualmente. Mas, inegavelmente, ele vai à igreja para ter comunhão com o povo de Deus...” (Juarez M. Filho, in “Amar e Crescer – O Fator Comunhão no Crescimento da Igreja” , 1999, p. 15).

No versículo um o salmista Davi exalta a excelência da comunhão entre irmãos: “Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!”.

A união é tal elemento evangelizador como a terra é para as plantas, a água para os peixes...

É o ambiente que favorece o crescimento. Vemos isso como um retrato na Igreja Primitiva:
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2.42-47).  


SOLUÇÃO DE DEUS 

Lendo o Salmo 133 com Atos 2 surge a pergunta: Como teremos uma união evangelizadora?

Note que, antes que alguém diga que isso não é importante, ouça o que um dos grandes reformadores apregoa: 
“[...] Davi sugere que a vida do homem não teria vitalidade, seria inútil e miserável, se não fosse sustentada pela harmonia fraternal...” (Calvino [Salmos IV], 2009, p. 439).

Isso significa que para que exista a união fraternal torna-se imperioso resolver as animosidades, os rancores contra quaisquer pessoas. Torna-se necessário remover pesos e pecados através de Cristo (Hebreus 12.1-2; 1 João 1.9).

“[...] Enquanto as animosidades nos dividirem, e os rancores prevalecerem entre nós, sem dúvida podemos ser irmãos mediante um relacionamwento comum com Deus, mas não podemos ser considerados um só povo enquanto apresentarmos a aparência de um corpo quebrado e desmembrado. Como somos um em Deus, o Pai, e em Cristo, a união dever ser ratificada entre nós por harmonia recíproca e amor fraternal...” (Calvino [Salmos IV], 2009, p. 437).


APLICAÇÃO 

Primeiro, a UNIÃO PROPICIA A UNÇÃO ESPIRITUAL (vs. 2) - “É como óleo precioso derramado sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Arão, até a gola das suas vestes”. O óleo da unção é prescrito em Êxodo 30.23-25. É usado somente para os sacerdotes. Por isso Deus tem uma nação de sacerdotes (1 Pe 2.9)

Segundo, a UNIÃO PROPICIA A BENÇÃO QUE VÊM DE DEUS (vs. 3a) - "É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor concede a bênção...". É o Senhor que abençoa e a sua bênção enriquece (Pv 10.22).

Terceiro, a UNIÃO PRODUZ VIDA ETERNA (vs 3b) - "É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor concede a bênção da vida para sempre [eterna]”. Quem crê em Jesus Cristo têm a vida eterna (Jo 3.36).


OBRAS CITADAS 

Beyer, B. T. (2001). Descobrindo o Antigo Testamento: Uma Perspectiva Cristã. São Paulo/SP: Cultura tristã.
Bíblia OnLine 3.0. (1999). Baueri/SP: Sociedade Bíblica do Brasil.
Calvino, J. (2009). Salmos (vol. IV). São José dos Campos: Fiel.
Confissão de Fé de Westminster. (1991). São Paulo/SP: Casa Editora Presbiteriana.
Filho, J. M. (1999). Amar e Crescer - O Fator Comunhão no Crescimento da Igreja. Curitiba/PR: Descoberta.


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Por quem Cristo morreu, afinal?





TEXTOS BÍBLICOS

Mateus 1:21 - Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.
João 3:16Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
João 10:11, 14-15, 26Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.
João 10:27-30As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um. 
Atos 20:28 Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.
Romanos 8:30E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. 

EXPLICAÇÃO

            Dentre as doutrinas distintivas da teologia reformada apresentadas em inglês sob a sigla T.U.L.I.P[i]. existe a terceira conhecida como “expiação limitada”. Talvez o termo mais apropriado ou preferível seja “expiação definida”, uma vez que que define por quem Cristo morreu.  Esta doutrina apresenta o desígnio ou propósito aplicado de Deus em enviar Cristo à cruz.
 A pergunta básica seria: Por quem Cristo morreu?
Ora, os que crêem na expiação definida tentam explicar:  que o efeito da obra de Cristo na cruz seja limitado aos eleitos; que o mérito da morte de Cristo paga os pecados de toda a humanidade; que a expiação de Cristo é suficiente para todos, mas eficiente para os eleitos. Isto, contudo, não explica satisfatoriamente aos que têm dúvidas.
Os que não creem na expiação definida tentam mostrar que Cristo realizou uma obra potencial ou condicional e não uma obra real em favor dos eleitos.
Veja que os próprios teólogos reformados divergiram em relação à oferta da expiação.  Alguns acreditavam que era universal e outros que era limitada.  
Note, ainda,  que o Novo Testamento mostra que a oferta do evangelho é feita a todos os homens  (judeus e a não judeus), uma vez que Jesus, no texto áureo da Grande Comissão, deu a ordem de fazer discípulos de todas as nações” (etnias), cf. Mateus 28:19-20.  Embora a oferta seja universal, contudo a expiação é definida. Isto significa que devemos pregar o máximo possível, mas entender que somente aqueles pelos quais Cristo morreu, isto é os eleitos (aqueles que crerão, de fato), é que serão salvos (releia os versículos acima). 

Nos Cânones do Sínodo de Dort[ii] a doutrina está assim esposada:
Esta eleição é o imutável propósito de Deus, pelo qual Ele, antes da fundação do mundo, escolheu um número grande e definido de pessoas para a salvação, por graça pura. Estas são escolhidas de acordo com o soberano bom propósito de Sua vontade, dentre todo o gênero humano, decaído, por sua própria culpa, de sua integridade original para o pecado e a perdição. Os eleitos não são melhores ou mais dignos que os outros, mas envolvidos na mesma miséria. São escolhidos, porém, em Cristo, a quem Deus constituiu, desde a eternidade, Mediador e Cabeça de todos os eleitos e fundamento da salvação. E, para salvá‑los por Cristo, Deus decidiu dá‑los a Ele e efetivamente chamá‑los e atrai‑los à sua comunhão por meio da sua Palavra e de seu Espírito. Em outras palavras, Ele decidiu dar‑lhes verdadeira fé em Cristo, justificá‑los, santificá‑los, e depois, tendo‑os guardado poderosamente na comunhão de seu Filho, finalmente glorificá‑los. Deus fez isto para a demonstração de sua misericórdia e para o louvor da riqueza de sua gloriosa graça. Como está escrito ... assim como nos escolheu nele, antes do fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado... E em outro lugar: E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também, glorificou (Ef.1.4‑6; Rm 8.30). [1o. Capítulo “Da Doutrina: A Divina Eleição e Reprovação”, Artigo 7 ‑ Eleição definida]

     Note, finalmente, na Confissão de Fé de Westminster[iii] aspectos importantes sobre a expiação definida, para uma boa compreensão:
“Aprouve a Deus em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do Mundo; e deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado. Ref. Is. 42:1; I Pe. 1: 19-20; I Tm. 2:5; Jo. 3:16; Dt. 18:15; At. 3:20-22; Hb.  5:5-6; Is. 9:6-7; Lc. 1:33; Hb. 1:2; Ef. 5:23; At. 17:31; II Co.5:10; Jo. 17:6; Ef.  1:4; Jo. 6:37,39; Is. 53:10; I Tim. 2:5,6; I Co. 1:30; Rom.8:30; Mc. 10:45.” [VIII, I]
 “O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai, e para todos aqueles que o Pai lhe deu adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável no Reino dos Céus.   Ref.  Rm.  5: 19; Hb.  9: 14; Rm. 3:25-26; Hb. 10:14; Ef. 5:2 e 1: 11, 14; Jo. 17:2; Hb.9:12,15.” [VIII, V] “Cristo, com toda a certeza e de forma eficaz, aplica e comunica a salvação a todos aqueles para os quais ele a adquiriu. Isto ele consegue, fazendo intercessão por eles e revelando-lhes na Palavra e pela Palavra os mistérios da salvação, persuadindo-os eficazmente pelo seu Espírito a crer e a obedecer, governando os corações deles pela sua Palavra e pelo seu Espírito; subjugando todos os seus inimigos por meio de sua onipotência e sabedoria, da maneira e pelos meios mais condizentes com a sua admirável e inescrutável dispensação. Ref.  Jo. 6:37,39. Jo. 10:16; I Jo. 2:1; Rm. 8:34; Jo. 15:15; Jo. 17:6; Gl. 1:11-12; Ef. 1:7-9;  Rm.8:9,14; Tt 3:4-5; Rm. 15:18-19; Jo. 17:17; Sl. 110:1; 1 Co. 15:25-26; Ml. 4:2-3; Cl. 2:15.
” [VIII, VIII]

Observe, ainda, que o plano de Deus não foi definido de última hora. Deus é Soberano e cumprirá a sua vontade para com todas as suas criaturas. O próprio Deus Trino-Uno na eternidade definiu este assunto e o cumpre soberanamente. 
Embora esta seja uma matéria da economia divina e nós não entendamos todos os aspectos eletivos de Deus (somente os revelacionais), não nos cabe discutir, mas aceitar com temor e tremor no coração, que assim é: 
 "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?" (Romanos 9:20)
         O jeito é não querer ser "deus", pois Ele já existe e definiu esta e outras matérias. A razão é para que creiamos em Jesus Cristo, e, que somos apenas servos e não senhores. Há um só Senhor Soberano!

A Ele toda Glória e Louvor!





[i] O Sínodo de Dort (Holanda, 1619) formulou os chamados cinco pontos do calvinismo em contraposição aos cinco pontos do arminianismo.
Total depravity (depravação total);
Uncondicional election (eleição incondicional);
Limited atonement (expiação limitada ou definida);
Irressistible Grace (graça irresistível);
Perseverance of the saints (perseverança dos santos)

[ii] Os Cânones de Dort, Editora Cultura Cristã, São Paulo, p. 19.

[iii] Confissão de Fé de Westminster, Catecismo Maior e Breve Catecismo, 1a. Edição Especial da Casa Editora Presbiteriana, 1991, São Paulo, p. 50-51; 53.

sexta-feira, 9 de março de 2012

COMO ENTENDER A VONTADE DE DEUS?


Tiago 4:11-17

Em geral, todas as pessoas desejam entender o que está acontecendo com elas, isto é, qual a origem e o fim de todas as coisas. Para aqueles que já experimentaram a existência de Deus, desejam certamente conhecer qual a vontade de Deus, mas qual o segredo para chegar a esse entendimento?

A Palavra de Deus mostra que é possível entender a vontade de Deus:

Primeiro, NÃO SE COLOCANDO COMO JUIZ (A). Tiago diz (4.11-12, NVI): 11Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz. 12Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?

Deus é o único que deve julgar; Jesus disse para não julgarmos: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados” (Mt 7.1, NVI).

Deus é um juiz justo e reto; Ele traz salvação: “Pois o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso rei; é ele que nos vai salvar”. (Is 33.22,NVI)

Segundo, NÃO SE COLOCANDO COMO AUTO-DEPENDENTE. Tiago diz (4.13-14, NVI): 13Ouçam agora, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro”. 14Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa.

As pessoas, em geral, querem ser auto-dependentes, isto é, depender de si mesmos e de mais ninguém, mas Deus nos criou para dependermos uns dos outros e d’Ele mesmo. “[...] O homem que vive mais seguro é o que menos confiança tem em si mesmo...” (Davidson, 1972, p.1397)

Terceiro, SE COLOCANDO EM SUBMISSÃO A DEUS. Tiago diz (4.15-16): 15Ao invés disso, deveriam dizer: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”. 16Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna.

Em tudo que fazemos devemos levar em conta se Deus está sendo glorificado e adorado. Então, depois disso, buscarmos a satisfação pessoal. Viver apenas por desejos e sentimentos, em geral, não satisfaz completamente a alma humana.

Quarto, SE COLOCANDO NA PRÁTICA DO BEM. Tiago diz (4.17): 17Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado. O arrazoado final do apóstolo leva à reflexão e à tese final, isto é, que embora concordando com a brevidade da vida e a incerteza do futuro as pessoas continuem vivendo no pecado de não considerar a vontade de Deus.

O que acontecer na verdade é que “[...] Tiago repreende os que presumem que tudo dará certo jogando-se ao futuro incerto. Ao contrário eles deveriam estar servindo humildemente ao Senhor a cada dia. Em Mateus 6.34, Jesus diz: “não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal”...” (Yarbrough, 2002, p. 356).

Você entende a vontade de Deus para a sua vida pessoal?