quinta-feira, 12 de julho de 2012

PRINCÍPIOS DA ORAÇÃO


Os caminhos servem para guiar-nos para o lugar que desejamos chegar. Assim são os princípios de Deus, são caminhos que nos guiam para o lugar que o Senhor quer que cheguemos. Uma rápida introdução ao “Pai Nosso”, no contexto reformado, mostra que existem princípios basilares da oração que devem ser observados por aqueles que querem se aproximar de Deus. 
Jesus mostra inicialmente (Mateus 6.5-8) três aspectos basilares. A oração envolve: não orar como hipócritas judeus (vs.5), isto é como atores em representações; orar dessa forma é como receber maldição nas próprias palavras. Envolve, também, não orar como os presunçosos gentios (vs.7-8), pois estes usam a verbosidade sem conteúdo (vãs repetições), não se deve assemelhar-se a eles; deve-se buscar o conhecimento dos atributos soberanos de Deus, pois Deus sabe o que temos necessidade, antes de pedirmos (Sl. 139.4). Envolve, finalmente, orar como discípulo fiel - veladamente (vs.6), pois a recompensa virá; o Senhor nos vê secretamente.
Calvino apresentou princípios sobre oração para guiar o crente em sua comunhão com Deus:
PRIMEIRO, APROXIMAR-SE REVERENTEMENTE DE DEUS: O reformador dizia que devemos elaborar nossas orações “devida e corretamente”. Isso significa que evitar o tipo de leviandade e frivolidade que recorre a Deus como uma espécie de amigo celeste, o “homem de lá de cima”. Achegar-se verdadeiramente à presença divina é ser “movido pela majestade de Deus” (Inst. III, XX, 5). 
SEGUNDO, ORAR COM UMA PERCEPÇÃO SINCERA:  de necessidade, e  penitentemente. A oração é mais do que murmúrios piedosos. Deve vir do coração, “das  profundezas”, como disse o salmista. Empregou, para descrever a oração verdadeira, verbos que frisam este princípio: na oração ansiamos, desejamos, temos fome, sentimos sede, buscamos, pedimos, suplicamos, clamamos.
TERCEIRO, ABANDONAR TODA CONFIANÇA EM NÓS MESMOS E HUMILDEMENTE SUPLICAR O PERDÃO DIVINO. Todo o propósito da oração, e na verdade da vida cristã inteira, é a glória de Deus. Isso significa que qualquer um que se põe diante de Deus para orar deve em verdadeira humildade abdicar “de todo pensamento da própria glória, despir-se de toda noção de dignidade [própria], enfim, afastar-se de toda confiança de si  [mesmo]...” (Inst.  m, XX , 8).
QUARTO, ORAR COM ESPERANÇA CONFIANTE“... Assim prostrados e subjugados de verdadeira humildade, sejamos, não obstante, animados a orar, com segura esperança de alcançar resposta” (Inst. III, XX, 11). Calvino chegou a ponto de dizer que a única oração aceitável a Deus nasce da “presunção da fé”.
Estes princípios servem para guiar cada crente em sua oração íntima, mas também se aplicam às orações comuns da igreja. De fato, Calvino afirmava que a parte principal do culto é o “múnus da oração” (Inst. III, XX, 29). Ele não tinha paciência com aqueles que alegavam que podiam adorar tão bem em casa quanto na igreja. A oração pública deve ser simples. Dizia que o canto pertence ao ministério da oração, embora ele advertisse que não devemos estar mais atentos à melodia do que ao sentido espiritual das palavras.