terça-feira, 23 de julho de 2013

REAÇÕES DIANTE DA MALDADE

O Presb. Rubem Amorese, que foi consultor do legislativo do Senado Federal, disse muito lucidamente (via facebook, em 26/6/13), que precisamos matutar o texto abaixo e tentar entender porque o povo brasileiro está nas ruas. Citou Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (1814-1876), que foi um teórico político russo, um dos principais expoentes do anarquismo em meados do século XIX: “[...] assim, ...chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana...”. 



Já falamos que cerca de cem anos atrás o profeta Jonas havia profetizado sob a cidade, mesmo contra a sua vontade. O Senhor o havia chamado para pregar e profetizar sobre ela. Ora, os ninivitas creram no Senhor, se arrependeram dos seus pecados e Deus não os destruiu (Jn 3.1-10 e 4.10). Contudo, eles deixaram o Senhor, pois antes de sua destruição muitos praticavam magia e adivinhação e o profeta a descreveu a cidade como prostituta e mestre de feitiçarias (Na 3.4,5). Observe que nessa cidade ficava o templo de Ishtar; este era representado por uma deusa-meretriz, portanto a imoralidade sexual era algo comum (Beyer, 2001, pp. 457-458). O que podemos dizer é que eles tinham abandonado o Senhor e ainda subjugado de maneira atroz, o povo de Deus, no primeiro cativeiro em 722 a.C. (Schultz, 1977, p. 161). 


Isaltino Gomes mostra que DEUS PUNE A CRUELDADE: “[...] Nínive era a capital da Assíria. Dois nomes, Nínive e Assíria, são intercambiados, usados para designar a mesma potência.  A cidade era assustadora.  Além do poderio militar, que a fez assombrar o mundo por pelo menos meio milênio, Nínive era de uma incrível crueldade, além de seu grosseiro paganismo. Um de seus métodos para tratar os vencidos era o do empalamento: atravessar  a pessoa com uma estaca afiada, que ia do ânus em direção ao tronco. O esfolamento, em que a pele da pessoa era tirada, com prática e com requintes de desumanidade, era um outro método de tratar os vencidos. Geralmente, conquistada uma cidade, alguns de seus habitantes eram levados como escravos para trabalhar na construção, mas outros, impossibilitados para o trabalho forçado, como doentes e idosos, eram levados como exemplo. Às portas de uma outra cidade sitiada, eram empalados ou esfolados, como sinal do que aconteceria aos moradores da cidade cercada se esta não se rendesse. Por tudo isto, Nínive era temida pelas pequenas nações que lhe pesados pagavam tributos para poder viver em paz. E assim entendemos o porquê da linguagem tão dura empregada pelo profeta, por ordem divina, à cidade. Deus pune a crueldade. E em matéria de crueldade, Nínive era imbatível...”.


DEUS TEM UM CARÁTER RETRIBUTIVO, “Lançarei sobre ti imundícias, tratar-te-ei com desprezo e te porei por espetáculo” (Na 3.6).
Veja que em Na 1.6 profeta descreve um Deus zeloso, mas com um caráter vingativo sobre os seus inimigos: “Quem pode suportar a sua indignação? E quem subsistirá diante do furor da sua ira? A sua cólera se derrama como fogo, e as rochas são por ele demolidas”. Outros textos refletem, também, esse caráter; alguns exemplos:
·         Nos mandamentos e diante de Faraó - “Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”(Êx 20.5); “Porque o SENHOR, teu Deus, é fogo que consome, é Deus zeloso” (Dt 4.24);  
·         No tempo de Josué - “Então, Josué disse ao povo: Não podereis servir ao SENHOR, porquanto é Deus santo, Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados” (Js 24.19);
·         No tempo de Paulo, um texto ímpar - “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.17-19);
·         Aos Hebreus - “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Hb 12.28-29);
·         No Apocalipse - “Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?... Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso” (Ap 6.15-17; 19.15).
Ao mesmo tempo, Deus é tardio em irar-se e de grande compaixão para com os que se humilham e arrependem:
·         “E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!” (Êx 34.6-7); “O SENHOR é longânimo e grande em misericórdia, que perdoa a iniquidade e a transgressão, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta gerações”(Nm 14.18);
·         Nos Salmos - “O SENHOR é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno” (Sl 103.8) e “Benigno e misericordioso é o SENHOR, tardio em irar-se e de grande clemência. O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras”. (Sl 145.8-9). 
O julgamento dos ninivitas será severo, pois além da crueldade eles teriam recebido a misericórdia anos atrás, com Jonas. Foram advertidos, arrependeram-se, foram perdoados, mas teriam voltado à iniquidade e crueldade. Diz Ezequiel 18.20-27: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este. Mas, se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que é reto e justo, certamente, viverá; não será morto. De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou, viverá. Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso?  - diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?  Mas, desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade, fazendo segundo todas as abominações que faz o perverso, acaso, viverá? De todos os atos de justiça que tiver praticado não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu e no seu pecado que cometeu, neles morrerá. No entanto, dizeis: O caminho do Senhor não é direito. Ouvi, agora, ó casa de Israel: Não é o meu caminho direito? Não são os vossos caminhos tortuosos? Desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade, morrerá por causa dela; na iniquidade que cometeu, morrerá. Mas, convertendo-se o perverso da perversidade que cometeu e praticando o que é reto e justo, conservará ele a sua alma em vida”.
As palavras de Hebreus 2.1 são solenes advertências: “Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas”.


QUAIS AS IMPLICAÇÕES? 
As reações mais comuns contra a crueldade devem ser analisadas:
1ª.) Isso implica em reagir com a “lei da selva” ou “guerra de prevenção”, isto é, faça ao outro antes que ele faça com você. Vemos isso quando Faraó manda matar os meninos hebreus antes que se tornassem uma ameaça. Caso semelhante ocorre com Herodes que manda matar as crianças, antes que o “rei” Jesus pudesse ascender.
2º.) Isso implica em reagir com a “lei do talião”, usando a mesma forma ou força usada, como está registrado na lei: “mas se resultar dano, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (cf. Êx 21.23-25).
3º.) Isso implica, ainda, em reagir com a “lei do senso comum”, isto é, faça ao outro como você quer que ele faça a você, onde a “virtude não é virtude, mas apenas moeda de troca”.


COMO DEUS QUER QUE REAJAMOS? 
O plano glorioso de Deus implica em reagir com a “lei de Cristo”, isto é, “ame até seus inimigos”. Vejam alguns versículos:
Mateus 5.43-48: “Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os gentios também o mesmo? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial”.
Romanos 13.8-10: “A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei. Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei”.
Gálatas 5.14 e 6.1-2: “Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” e “Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para que também tu não sejas tentado. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”.
CONCLUSÃO: “[...] Quando os pecadores soberbos são derribados, os demais devem aprender a não exaltarem a si mesmos. A queda desta grande cidade deve ser uma lição, particularmente para as pessoas que aumentam as suas riquezas através de fraudes e opressão. Estão preparando inimigos contra si mesmos; e se o Senhor se compraz em castiga-los neste mundo, não terão ninguém que se compadeça deles. Todo homem que busca a sua própria prosperidade, segurança e paz, não somente agirá de forma correta e honrosa, mas com bondade para com todos... As fortalezas, mesmo as mais poderosas, não tem defesas contra os juízos de Deus, serão incapazes de fazer algo a seu próprio favor... Os que tem feito o mal ao seu próximo perceberão que o mal se torna contra eles. Nínive e muitas outras cidades, estados e impérios tem sido destruídos, e deveriam nos servir de advertência. Quando o Senhor se mostra contra um povo, tudo aquilo em que confiam deve falhar ou resultar em desvantagens; porem, Ele continua fazendo o bem a Israel. Ele e uma fortaleza para todo crente em tempos difíceis, a qual não pode ser assaltada nem tomada; e conhece os que confiam nele...” (Henry, 2004, p. 1392).
Deus é o Senhor da história. Nunca perdeu e nunca perderá o domínio. Eventualmente pode demorar em seu juízo, pois seu relógio não é o nosso, mas por fim, sua vontade prevalecerá. Para os incrédulos, uma advertência. Para nós, uma promessa. Há um Deus que pune o mal e que faz sua vontade triunfar. Há um Deus que vê os adversários de seu povo e os pune no momento certo. Por isto, confiemos no poder de um Deus que conduz a história e que a faz caminhar para onde ele deseja.


Bibliografia

Berkhof, L. (2007). Teologia Sistemática. São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Beyer, B. T. (2001). Descobrindo o Antigo Testamento. São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Bíblia. (1976). A Bíblia Vida Nova (Russel Shedd, editor). São Pailo: Edições Vida Nova.
Bíblia. (1998-2010). Bíblia Alfa Digital 1.3. Santo André/SP: Geográfica Editora.
Bíblia. (2002). Bíblia Online 3.0. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
Filho, I. G. (s.d.). www.isaltino.com.br. Acesso em 19 de Julho de 2013, disponível em Isaltino Gomes Coelho Filho: http://www.isaltino.com.br/2010/11/o-profeta-naum/
Henry, M. (2004). Comentário Bíblico de Mattew Henry. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus.
Schultz, S. J. (1977). A História de Israel no Antigo Testamento. São Paulo/SP: Vida Nova.
Westminster, A. d. (2005). Símbolos de Fé: contendo Confissão de Fé, Catecismo Maior e Breve. São Paulo/SP: Cultura Cristã.

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