O Presb. Rubem Amorese, que foi
consultor do legislativo do Senado Federal, disse muito lucidamente (via
facebook, em 26/6/13), que precisamos matutar o texto abaixo e tentar entender
porque o povo brasileiro está nas ruas. Citou Mikhail Aleksandrovitch Bakunin
(1814-1876), que foi um teórico político russo, um dos
principais expoentes do anarquismo em meados do século XIX: “[...]
assim, ...chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria
das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém,
dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim com certeza, de antigos
operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo,
cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do
Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de
governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana...”.
Isaltino
Gomes mostra que DEUS PUNE A CRUELDADE:
“[...] Nínive era a capital da Assíria. Dois nomes,
Nínive e Assíria, são intercambiados, usados para designar a mesma potência.
A cidade era assustadora. Além do poderio militar, que a fez
assombrar o mundo por pelo menos meio milênio, Nínive era de uma incrível
crueldade, além de seu grosseiro paganismo. Um de seus métodos para tratar os
vencidos era o do empalamento: atravessar a pessoa com uma estaca afiada,
que ia do ânus em direção ao tronco. O esfolamento, em que a pele da pessoa era
tirada, com prática e com requintes de desumanidade, era um outro método de
tratar os vencidos. Geralmente, conquistada uma cidade, alguns de seus
habitantes eram levados como escravos para trabalhar na construção, mas outros,
impossibilitados para o trabalho forçado, como doentes e idosos, eram levados
como exemplo. Às portas de uma outra cidade sitiada, eram empalados ou
esfolados, como sinal do que aconteceria aos moradores da cidade cercada se
esta não se rendesse. Por tudo isto, Nínive era temida pelas pequenas nações
que lhe pesados pagavam tributos para poder viver em paz. E assim entendemos o
porquê da linguagem tão dura empregada pelo profeta, por ordem divina, à
cidade. Deus pune a crueldade. E em matéria de crueldade, Nínive era
imbatível...”.
DEUS TEM UM CARÁTER
RETRIBUTIVO, “Lançarei sobre ti
imundícias, tratar-te-ei com desprezo e te porei por espetáculo” (Na 3.6).
Veja que em Na 1.6 profeta descreve um Deus zeloso, mas com um caráter vingativo sobre os seus inimigos:
“Quem pode suportar a sua indignação? E
quem subsistirá diante do furor da sua ira? A sua cólera se derrama como fogo,
e as rochas são por ele demolidas”. Outros
textos refletem, também, esse caráter; alguns exemplos:
·
Nos mandamentos e
diante de Faraó - “Não as adorarás, nem
lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a
iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me
aborrecem”(Êx 20.5); “Porque o SENHOR, teu Deus, é fogo que
consome, é Deus zeloso” (Dt 4.24);
·
No tempo de Josué - “Então, Josué disse ao povo: Não podereis
servir ao SENHOR, porquanto é Deus santo, Deus zeloso, que não perdoará a vossa
transgressão nem os vossos pecados” (Js
24.19);
·
No tempo de Paulo, um
texto ímpar - “Não torneis a
ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se
possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos
vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim
me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.17-19);
·
Aos Hebreus - “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça,
pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor;
porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Hb
12.28-29);
·
No Apocalipse - “Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os
poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos
penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e
escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque
chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?... Sai da sua
boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com
cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus
Todo-Poderoso” (Ap 6.15-17; 19.15).
Ao mesmo tempo, Deus
é tardio em irar-se e de grande compaixão para com os que se humilham e
arrependem:
·
“E, passando o SENHOR
por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e
grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações,
que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o
culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até
à terceira e quarta geração!” (Êx 34.6-7); “O SENHOR é longânimo e grande em
misericórdia, que perdoa a iniquidade e a transgressão, ainda que não inocenta
o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta
gerações”(Nm 14.18);
·
Nos Salmos - “O SENHOR é misericordioso e compassivo;
longânimo e assaz benigno” (Sl 103.8) e “Benigno
e misericordioso é o SENHOR, tardio em irar-se e de grande clemência. O SENHOR
é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras”.
(Sl 145.8-9).
O julgamento dos
ninivitas será severo, pois além da crueldade eles teriam recebido a misericórdia anos
atrás, com Jonas. Foram advertidos, arrependeram-se, foram perdoados, mas
teriam voltado à iniquidade e crueldade. Diz Ezequiel 18.20-27: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não
levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do
justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este. Mas, se
o perverso se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os
meus estatutos, e fizer o que é reto e justo, certamente, viverá; não será morto.
De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela
justiça que praticou, viverá. Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? - diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes,
que ele se converta dos seus caminhos e viva?
Mas, desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade, fazendo
segundo todas as abominações que faz o perverso, acaso, viverá? De todos os
atos de justiça que tiver praticado não se fará memória; na sua transgressão
com que transgrediu e no seu pecado que cometeu, neles morrerá. No entanto,
dizeis: O caminho do Senhor não é direito. Ouvi, agora, ó casa de Israel: Não é
o meu caminho direito? Não são os vossos caminhos tortuosos? Desviando-se o
justo da sua justiça e cometendo iniquidade, morrerá por causa dela; na
iniquidade que cometeu, morrerá. Mas, convertendo-se o perverso da perversidade
que cometeu e praticando o que é reto e justo, conservará ele a sua alma em
vida”.
As palavras de Hebreus 2.1 são solenes advertências: “Por isso convém atentarmos mais
diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos
desviemos delas”.
QUAIS AS IMPLICAÇÕES?
As reações mais comuns contra a crueldade devem ser analisadas:
1ª.) Isso implica em reagir
com a “lei da selva” ou “guerra de prevenção”, isto é, faça ao outro antes
que ele faça com você. Vemos isso quando Faraó manda matar os meninos hebreus
antes que se tornassem uma ameaça. Caso semelhante ocorre com Herodes que manda
matar as crianças, antes que o “rei” Jesus pudesse ascender.
2º.) Isso implica em reagir
com a “lei do talião”, usando a mesma forma ou força usada, como está
registrado na lei: “mas se resultar dano, então darás vida
por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura
por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (cf. Êx 21.23-25).
3º.) Isso implica, ainda, em reagir com a “lei do senso comum”, isto
é, faça ao outro como você quer que ele faça a você, onde a “virtude não é
virtude, mas apenas moeda de troca”.
COMO DEUS QUER QUE REAJAMOS?
O plano glorioso de Deus implica em reagir com a “lei de Cristo”, isto é, “ame até seus inimigos”. Vejam
alguns versículos:
Mateus 5.43-48: “Ouvistes que foi
dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo:
Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis
filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre
maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. Pois, se amardes aos que vos
amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo? E, se
saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os gentios
também o mesmo? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial”.
Romanos 13.8-10: “A ninguém devais
coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a
lei. Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e
se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu
próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o
cumprimento da lei”.
Gálatas 5.14 e 6.1-2: “Pois toda a lei se
cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” e
“Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois
espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para
que também tu não sejas tentado. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis
a lei de Cristo”.
CONCLUSÃO: “[...] Quando os pecadores soberbos são
derribados, os demais devem aprender a não exaltarem a si mesmos. A queda desta
grande cidade deve ser uma lição, particularmente para as pessoas que aumentam
as suas riquezas através de fraudes e opressão. Estão preparando inimigos
contra si mesmos; e se o Senhor se compraz em castiga-los neste mundo, não
terão ninguém que se compadeça deles. Todo homem que busca a sua própria
prosperidade, segurança e paz, não somente agirá de forma correta e honrosa,
mas com bondade para com todos... As fortalezas, mesmo as mais poderosas, não
tem defesas contra os juízos de Deus, serão incapazes de fazer algo a seu
próprio favor... Os que tem feito o mal ao seu próximo perceberão que o mal se
torna contra eles. Nínive e muitas outras cidades, estados e impérios tem sido
destruídos, e deveriam nos servir de advertência. Quando o Senhor se mostra
contra um povo, tudo aquilo em que confiam deve falhar ou resultar em
desvantagens; porem, Ele continua fazendo o bem a Israel. Ele e uma fortaleza
para todo crente em tempos difíceis, a qual não pode ser assaltada nem tomada;
e conhece os que confiam nele...” (Henry, 2004, p.
1392).
Deus é o Senhor da
história. Nunca perdeu e nunca perderá o domínio. Eventualmente pode demorar em
seu juízo, pois seu relógio não é o nosso, mas por fim, sua vontade
prevalecerá. Para os incrédulos, uma advertência. Para nós, uma promessa. Há um
Deus que pune o mal e que faz sua vontade triunfar. Há um Deus que vê os
adversários de seu povo e os pune no momento certo. Por isto, confiemos no
poder de um Deus que conduz a história e que a faz caminhar para onde ele
deseja.
Bibliografia
Berkhof,
L. (2007). Teologia Sistemática. São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Beyer, B. T. (2001). Descobrindo o Antigo
Testamento. São Paulo/SP: Cultura Cristã.
Bíblia. (1976). A Bíblia Vida Nova (Russel Shedd,
editor). São Pailo: Edições Vida Nova.
Bíblia. (1998-2010). Bíblia Alfa Digital 1.3.
Santo André/SP: Geográfica Editora.
Bíblia. (2002). Bíblia Online 3.0. Barueri:
Sociedade Bíblica do Brasil.
Filho, I. G. (s.d.). www.isaltino.com.br.
Acesso em 19 de Julho de 2013, disponível em Isaltino Gomes Coelho Filho:
http://www.isaltino.com.br/2010/11/o-profeta-naum/
Henry, M. (2004). Comentário Bíblico de Mattew
Henry. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus.
Schultz, S. J. (1977). A História de Israel no
Antigo Testamento. São Paulo/SP: Vida Nova.
Westminster, A. d. (2005). Símbolos de Fé:
contendo Confissão de Fé, Catecismo Maior e Breve. São Paulo/SP: Cultura
Cristã.







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