“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mateus 11.28-30)
Já descemos a pé, com a família, a Estrada Velha de Santos. São cerca de nove quilômetros de descida. A panturrilha, conhecida como “batata da perna” chega a doer, dada a inclinação. A compensação por esta caminhada está na paisagem criada por Deus, nas obras artísticas, mas especialmente numa “casa de paragem”, como é conhecida, em meio a uma curva de quase noventa graus. Ali o viajor cansado encontra um verdadeiro oásis para refazer-se, aonde pode dessedentar-se, alimentar-se e assentar-se num dos bancos à sombra.
Ora, a correria destes tempos pós-modernos tem levado muitos à exaustão. As causas podem ser listadas; entre elas o trânsito caótico e a violência da cidade, as exigências da vida (estudo, trabalho, família...), os relacionamentos... As respostas que muitos encontram não satisfazem os anseios pessoais e podemos ver pessoas insatisfeitas, tristes, depressivas, murmuradoras da vida.
Queremos dizer a você que a verdadeira resposta para todos os “cansados e sobrecarregados” é Jesus. Parece simplista, mas é a verdade: Jesus é o Descanso para os Cansados. Ele disse: “... sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (Jo 15.5, NVI).
Quando aceitamos que Cristo é suficiente para resolver os nossos problemas, então, podemos contar com a sua bênção todos os dias da existência. O problema é que muita gente não percebe isso e confia na falha humanidade e faz dela a sua força: “...Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor” (Jr.17.5, NVI).
Há três lições muito claras aqui:
Primeiro, Jesus faz um convite agora a todos – “Venham a mim”. Ir a Jesus significa crer n’Ele. Atestamos isso em João 6.35: “Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede”. Diz W. Hendriksen (Mateus, v. 1, 2001, p. 713): “Essa fé é conhecimento, assentimento e confiança, tudo de uma só vez. Além do mais, a fé, sendo dom do Espírito Santo, produz o fruto do Espírito Santo: amor, alegria, paz longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22; cf. Jo 14.15; 15.1-17; 1Jo 2.3). Ela produz as obras de gratidão, realizadas em espontânea obediência a Cristo”.
Segundo, Jesus fala aos cansados e sobrecarregados – “Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados”. A quem Jesus tinha em mente? Certamente as pessoas que eram sobrecarregadas pelos religiosos de seu tempo – os escribas e fariseus. W. Hendriksen diz: “A referência é a todos os que se acham oprimidos pelo pesado fardo de regras e regulamentos postos pelos ombros pelos escribas e fariseus, como se uma pessoa só pudesse ser salva quando em sua vida a obediência a todas essas tradições sobrepujasse a seus atos de desobediência.” (in Mateus, v. 1, 2001, p. 713). O texto de Mateus 23.4 mostra bem esse fato: “Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los".
A religião que não liberta, escraviza. Observe o que Paulo assevera: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.15-16). O apóstolo João diz “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos, porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1 Jo 5.3-5). Naturalmente o convite de Cristo se aplica, também, a todos: “vinde a mim todos...”.
Terceiro, Jesus promete descanso para todos os cansados – “e eu lhes darei descanso; “tomem sobre vocês o meu jugo, e aprendam de mim”. Pergunta-se novamente: O que Jesus tinha em mente? W. Hendriksen (in Mateus, v. 1, 2001, p. 713) diz: “Tal refrigério não é só negativamente ausência de incerteza, temor ansiedade e desespero; positivamente, é paz de mente e coração (Sl 125.1; Is 26.3; 43.2; Jo 14.27; 16.33; Rm 5.1); certeza de salvação (2Co 5.1; 2Tm 1.12; 4.7,8; 2 Pe 1.10,11)”.
W. Hendriksen (in Mateus, v. 1, 2001, p. 713) diz, ainda: “E prossegue: Tomem sobre vocês o meu jugo, e aprendam de mim... Na literatura judaica, um “jugo” representa a soma total de obrigações que, segundo o ensino dos rabinos, uma pessoa deve assumir... o jugo que os mestres de Israel punham sobre os ombros do povo consistia num legalismo totalmente sem fundamento...”. Em outras palavras a salvação do fiel era, na posição dos rabinos, a obediência rigorosa a um volume de regras e mais regras.
Observe que o jugo e o fardo deveriam ser proporcionais. Novamente citando W. Hendriksen (in Mateus, v. 1, 2001, p. 716) vemos aqui boa interpretação: ”[...] um jugo literalmente falando, era uma armação de madeira, colocada sobre os ombros de uma pessoa a fim de tornar um volume ou fardo mais fácil de carregar, distribuindo seu peso em proporções iguais aos lados opostos do corpo... se o fardo fosse por demais pesado, o jugo poderia não ser suficiente para ajudar o usuário...”. Em outras palavras, o jugo e o fardo deveriam ser proporcionais.
Tomar o jugo de Jesus e tornar-se seu discípulo é achar descanso para as almas (para si mesmos). Jesus diz que ao contrário do jugo dos legalistas devemos tomar o “seu jugo”, pois “tomar o Seu jugo é encontrar descanso para a alma”. O que Ele quer dizer com isso? Note que “achar” é “obter” – “eu lhes darei descanso” (vs. 28) e “vocês acharão descanso” (vs. 29).
Agora, ore a Deus em nome de Jesus, e, entregue a Ele o seu fardo, qualquer que seja.
