quinta-feira, 31 de maio de 2012

Por quem Cristo morreu, afinal?





TEXTOS BÍBLICOS

Mateus 1:21 - Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.
João 3:16Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
João 10:11, 14-15, 26Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.
João 10:27-30As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um. 
Atos 20:28 Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.
Romanos 8:30E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. 

EXPLICAÇÃO

            Dentre as doutrinas distintivas da teologia reformada apresentadas em inglês sob a sigla T.U.L.I.P[i]. existe a terceira conhecida como “expiação limitada”. Talvez o termo mais apropriado ou preferível seja “expiação definida”, uma vez que que define por quem Cristo morreu.  Esta doutrina apresenta o desígnio ou propósito aplicado de Deus em enviar Cristo à cruz.
 A pergunta básica seria: Por quem Cristo morreu?
Ora, os que crêem na expiação definida tentam explicar:  que o efeito da obra de Cristo na cruz seja limitado aos eleitos; que o mérito da morte de Cristo paga os pecados de toda a humanidade; que a expiação de Cristo é suficiente para todos, mas eficiente para os eleitos. Isto, contudo, não explica satisfatoriamente aos que têm dúvidas.
Os que não creem na expiação definida tentam mostrar que Cristo realizou uma obra potencial ou condicional e não uma obra real em favor dos eleitos.
Veja que os próprios teólogos reformados divergiram em relação à oferta da expiação.  Alguns acreditavam que era universal e outros que era limitada.  
Note, ainda,  que o Novo Testamento mostra que a oferta do evangelho é feita a todos os homens  (judeus e a não judeus), uma vez que Jesus, no texto áureo da Grande Comissão, deu a ordem de fazer discípulos de todas as nações” (etnias), cf. Mateus 28:19-20.  Embora a oferta seja universal, contudo a expiação é definida. Isto significa que devemos pregar o máximo possível, mas entender que somente aqueles pelos quais Cristo morreu, isto é os eleitos (aqueles que crerão, de fato), é que serão salvos (releia os versículos acima). 

Nos Cânones do Sínodo de Dort[ii] a doutrina está assim esposada:
Esta eleição é o imutável propósito de Deus, pelo qual Ele, antes da fundação do mundo, escolheu um número grande e definido de pessoas para a salvação, por graça pura. Estas são escolhidas de acordo com o soberano bom propósito de Sua vontade, dentre todo o gênero humano, decaído, por sua própria culpa, de sua integridade original para o pecado e a perdição. Os eleitos não são melhores ou mais dignos que os outros, mas envolvidos na mesma miséria. São escolhidos, porém, em Cristo, a quem Deus constituiu, desde a eternidade, Mediador e Cabeça de todos os eleitos e fundamento da salvação. E, para salvá‑los por Cristo, Deus decidiu dá‑los a Ele e efetivamente chamá‑los e atrai‑los à sua comunhão por meio da sua Palavra e de seu Espírito. Em outras palavras, Ele decidiu dar‑lhes verdadeira fé em Cristo, justificá‑los, santificá‑los, e depois, tendo‑os guardado poderosamente na comunhão de seu Filho, finalmente glorificá‑los. Deus fez isto para a demonstração de sua misericórdia e para o louvor da riqueza de sua gloriosa graça. Como está escrito ... assim como nos escolheu nele, antes do fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado... E em outro lugar: E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também, glorificou (Ef.1.4‑6; Rm 8.30). [1o. Capítulo “Da Doutrina: A Divina Eleição e Reprovação”, Artigo 7 ‑ Eleição definida]

     Note, finalmente, na Confissão de Fé de Westminster[iii] aspectos importantes sobre a expiação definida, para uma boa compreensão:
“Aprouve a Deus em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do Mundo; e deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado. Ref. Is. 42:1; I Pe. 1: 19-20; I Tm. 2:5; Jo. 3:16; Dt. 18:15; At. 3:20-22; Hb.  5:5-6; Is. 9:6-7; Lc. 1:33; Hb. 1:2; Ef. 5:23; At. 17:31; II Co.5:10; Jo. 17:6; Ef.  1:4; Jo. 6:37,39; Is. 53:10; I Tim. 2:5,6; I Co. 1:30; Rom.8:30; Mc. 10:45.” [VIII, I]
 “O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai, e para todos aqueles que o Pai lhe deu adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável no Reino dos Céus.   Ref.  Rm.  5: 19; Hb.  9: 14; Rm. 3:25-26; Hb. 10:14; Ef. 5:2 e 1: 11, 14; Jo. 17:2; Hb.9:12,15.” [VIII, V] “Cristo, com toda a certeza e de forma eficaz, aplica e comunica a salvação a todos aqueles para os quais ele a adquiriu. Isto ele consegue, fazendo intercessão por eles e revelando-lhes na Palavra e pela Palavra os mistérios da salvação, persuadindo-os eficazmente pelo seu Espírito a crer e a obedecer, governando os corações deles pela sua Palavra e pelo seu Espírito; subjugando todos os seus inimigos por meio de sua onipotência e sabedoria, da maneira e pelos meios mais condizentes com a sua admirável e inescrutável dispensação. Ref.  Jo. 6:37,39. Jo. 10:16; I Jo. 2:1; Rm. 8:34; Jo. 15:15; Jo. 17:6; Gl. 1:11-12; Ef. 1:7-9;  Rm.8:9,14; Tt 3:4-5; Rm. 15:18-19; Jo. 17:17; Sl. 110:1; 1 Co. 15:25-26; Ml. 4:2-3; Cl. 2:15.
” [VIII, VIII]

Observe, ainda, que o plano de Deus não foi definido de última hora. Deus é Soberano e cumprirá a sua vontade para com todas as suas criaturas. O próprio Deus Trino-Uno na eternidade definiu este assunto e o cumpre soberanamente. 
Embora esta seja uma matéria da economia divina e nós não entendamos todos os aspectos eletivos de Deus (somente os revelacionais), não nos cabe discutir, mas aceitar com temor e tremor no coração, que assim é: 
 "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?" (Romanos 9:20)
         O jeito é não querer ser "deus", pois Ele já existe e definiu esta e outras matérias. A razão é para que creiamos em Jesus Cristo, e, que somos apenas servos e não senhores. Há um só Senhor Soberano!

A Ele toda Glória e Louvor!





[i] O Sínodo de Dort (Holanda, 1619) formulou os chamados cinco pontos do calvinismo em contraposição aos cinco pontos do arminianismo.
Total depravity (depravação total);
Uncondicional election (eleição incondicional);
Limited atonement (expiação limitada ou definida);
Irressistible Grace (graça irresistível);
Perseverance of the saints (perseverança dos santos)

[ii] Os Cânones de Dort, Editora Cultura Cristã, São Paulo, p. 19.

[iii] Confissão de Fé de Westminster, Catecismo Maior e Breve Catecismo, 1a. Edição Especial da Casa Editora Presbiteriana, 1991, São Paulo, p. 50-51; 53.