terça-feira, 6 de dezembro de 2011

DAR E RECEBER


A generosidade dos irmãos da Macedônia é exemplo de uma boa disposição de lidar com o dinheiro. Aqui há expressões nítidas de amor e graça entre judeus e gentios convertidos.

Como a geração em que se vive é iminentemente consumista e voltada demasiadamente para a individualidade é necessário aprender com os macedônios algumas das lições mais preciosas para a vida. Elas se voltam para o próximo (aqueles que estão à nossa volta) e para a glória de Deus.

Primeiro, AS SUAS DOAÇÕES INCENTIVARAM A UNIÃO: Agora, porém, estou de partida para Jerusalém, a serviço dos santos. Pois a Macedônia e a Acaia tiveram a alegria de contribuir para os pobres dentre os santos de Jerusalém. Tiveram prazer nisso, e de fato são devedores aos santos de Jerusalém. Pois, se os gentios participaram das bênçãos espirituais dos judeus, devem também servir aos judeus com seus bens materiais. Assim, depois de completar essa tarefa e de ter a certeza de que eles receberam esse fruto, irei à Espanha e visitarei vocês de passagem. Sei que, quando for visitá-los, irei na plenitude da bênção de Cristo”. (Rm 15.25-29, NVI).
Os gentios reconheceram que deviam sua nova vida espiritual aos cristãos judeus e transformaram isso em motivo de comunhão entre eles.

Segundo, AS SUAS DOAÇÕES ERAM OBRA DA GRAÇA DE DEUS - “Agora, irmãos, queremos que vocês tomem conhecimento da graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia” (2Co 8.1, NVI).
Paulo estava escrevendo aos coríntios e mostrando como Deus é maravilhoso e gracioso. As dádivas dos gentios eram um sinal de que Deus estava operando entre eles.

Terceiro, AS SUAS DOAÇÕES SURPREENDERAM A TODOS - “No meio da mais severa tribulação, a grande alegria e a extrema pobreza deles transbordaram em rica generosidade... E não somente fizeram o que esperávamos, mas entregaram-se primeiramente a si mesmos ao Senhor e, depois, a nós, pela vontade de Deus. Assim, recomendamos a Tito que, assim como ele já havia começado, também completasse esse ato de graça da parte de vocês" (2Co 8.2,5-6).
As suas dádivas eram diferentes das doações em geral. Normalmente as pessoas doam da sua abundância, mas os macedônios doaram em meio à pobreza e perseguição. Os macedônios como gentios se submeteram aos seus irmãos judeus e ao apóstolo Paulo, “pela vontade de Deus”.

Quarto, AS SUAS DOAÇÕES FORAM SACRIFICIAIS“Pois dou testemunho de que eles deram tudo quanto podiam, e até além do que podiam. Por iniciativa própria” (2Co 8.3, NVI).
Os macedônios doaram “na medida de suas posses e mesmo acima delas”. Eles necessitaram exercitar a fé uma vez que a “fé sem obras é morta”.
É isso que diz Tiago – “De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: “Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se”, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tg 2.14-17, NVI).

Quinto, AS SUAS DOAÇÕES FORAM ESPONTÂNEAS“eles nos suplicaram insistentemente o privilégio de participar da assistência aos santos” (2Co 8.4, NVI).
Foram os macedônios que pediram espontaneamente “com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos”. Sua participação foi tremendamente espantosa e intrinsecamente espontânea.

Esta espontaneidade revelava um ato de submissão, pois as suas doações eram fruto de um relacionamento profundo com Deus e de seu desejo de comunhão com a família de Deus. Po
rtanto, glorificavam a Deus - “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31, NVI).

Sexto, AS SUAS DOAÇÕES TROUXERAM IGUALDADE “Porque, se há prontidão, a contribuição é aceitável de acordo com aquilo que alguém tem, e não de acordo com o que não tem. Nosso desejo não é que outros sejam aliviados enquanto vocês são sobrecarregados, mas que haja igualdade. No presente momento, a fartura de vocês suprirá a necessidade deles, para que, por sua vez, a fartura deles supra a necessidade de vocês. Então haverá igualdade, como está escrito: “Quem tinha recolhido muito não teve demais, e não faltou a quem tinha recolhido pouco”. (2Co 8.12-15, NVI).
O vs. 13 mostra que as doações dos macedônios não visavam alívio dos judeus crentes de Jerusalém e sobrecarga a eles, mas apelava para a igualdade - “para que haja igualdade”.
Embora o evangelho de Cristo seja radical ou absoluto, o equilíbrio é requerido entre as pessoas em geral. Calvino (2Coríntios, 1995, p. 175) pontua que: “[...] o Senhor ordena que demos em justa proporção dos recursos que nos estão disponíveis, tanto quanto nossos fundos permitem, socorrendo àqueles que se acham em dificuldades, de tal modo que não haja alguns com extrema abundância e outros com extrema carência...”.

Sétimo, AS SUAS DOAÇÕES NÃO VISAVAM ENVERGONHAR OUTROS CRENTES“Contudo, estou enviando os irmãos para que o orgulho que temos de vocês a esse respeito não seja em vão, mas que vocês estejam preparados, como eu disse que estariam, a fim de que, se alguns macedônios forem comigo e os encontrarem despreparados, nós, para não mencionar vocês, não fiquemos envergonhados por tanta confiança que tivemos. Assim, achei necessário recomendar que os irmãos os visitem e concluam os preparativos para a contribuição que vocês prometeram. Então ela estará pronta como oferta generosa, e não como algo dado com avareza” (2Co 9.3-5, NVI). Na verdade os macedônios revelaram “generosidade”, mas esta não visava envergonhar os coríntios, se sim mostrar “graça” (vs. 12) e “glória a Deus” (vs. 13).
Jesus disse que não deveríamos usar as “doações” ou “dádivas” como meio de demonstrações para reconhecimento humano, mas para a glorificação de Deus: “Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará” (Mt 6.2-4, NVI).
As doações dos macedônios não visavam “manipular”, seja humilhando ou mantendo preso o coração das pessoas, e, sim solucionar o problema da pobreza dos crentes judeus de Jerusalém.

Oitavo, AS DOAÇÕES TINHAM UM MOTIVO CORRETO“Lembrem-se: aquele que semeia pouco, também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura, também colherá fartamente. Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria” (2Co 9.6-7, NVI).
Paulo mostra aos coríntios que as doações dos macedônios e deles mesmos não deveria ser pela “quantidade dada”, mas com base no “motivo correto” – “Deus ama a quem dá com alegria”, e não quem dá “com má vontade ou por necessidade” (vs. 7). A alegria de ajudar pessoas necessitadas é o grande fator de bênção para quem quer doar conforme Deus instrui.

Nono, AS DOAÇÕES TRAZIAM BENEFÍCIOS AOS DOADORES“E Deus é poderoso para fazer que lhes seja acrescentada toda a graça, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, vocês transbordem em toda boa obra. Como está escrito: “Distribuiu, deu os seus bens aos necessitados; a sua justiça dura para sempre”. Aquele que supre a semente ao que semeia e o pão ao que come, também lhes suprirá e multiplicará a semente e fará crescer os frutos da sua justiça. Vocês serão enriquecidos de todas as formas, para que possam ser generosos em qualquer ocasião e, por nosso intermédio, a sua generosidade resulte em ação de graças a Deus” (2 Co 9.8-11, NVI).

A esta altura talvez a pergunta que se faça seja esta: “Qual o benefício que eu recebo?!?.

Há dois benefícios importantes:
Primeiro, há o benefício da retribuição: “[...] Paulo nos encoraja com maravilhosa promessa de que sempre que doarmos algo recebemos de volta para a nossa própria vantagem... devemos atentar bem para esta promessa, ou seja, aqueles que fazem o bem em favor do pobre, na verdade estão protegendo os seus próprios interesses, como se estivessem regando os seus próprios campos...” (Calvino, 2 Coríntios, 1995, p. 190-191).

Há, também, o benefício da satisfação, pois o doador fica mais alegre e satisfeito com a dádiva feita; mais do que se a tivesse recebido. O texto de Atos 20.35 diz:Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber”.

Assim, o paradoxo "dar e receber" mostra que Deus de fato nos livra de grandes dificuldades e nos concede bênçãos inumeráveis quando nos dispomos a obedecê-lo e ama-lo!