quinta-feira, 14 de abril de 2011

COMUNICAÇÃO EFICAZ


“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros... Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem”
(Efésios 4.25-29)

Realidades Tristes

O Rio de Janeiro conheceu neste mês de Abril de 2011 uma chacina de proporções diferentes e assustadoras. O fato ocorreu na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio. O homicida e suicida era conhecido como Bin Laden e queria jogar um avião contra Cristo Redentor.

Em poucos minutos que causou a morte de doze adolescentes (dez delas mulheres) e o pânico e tantas outras. O que aconteceu? Foi uma arma, uma ganância, uma vingança, um preconceito, um descontrole?

O autor da chacina - Wellington Menezes de Oliveira, era um doente mental; tinha preferência pelo islamismo e era fascinado pelo ataque terrorista islâmico contra os EUA em 11 de setembro de 2001.

Como deter as chacinas?

Entendendo as Realidades

O sábio de Provérbios diz que “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” (Pv 18.21). Note que a comunicação pode dar vida ou matar o relacionamento na família e na igreja. O lar e a igreja podem ser um retrato do céu, onde a comunicação é entendida por todos e há felicidade completa, ou uma reprodução da torre de babel, onde prevalece o orgulho e a confusão.

Antes de analisar o texto acima, devemos fazer uma introspecção da alma sobre a comunicação:

O que vou falar é verdade? O que vou falar é puro? O que vou falar é uma palavra boa? O que vou falar edifica? O que vou falar é necessário? O que vou falar transmite graça aos que ouvem? As palavras da minha boca são agradáveis na presença de Deus? Vão melhorar a vida das pessoas que me ouvem? Elas serão mais encorajadas na vida cristã?

Há pessoas com que vale a pena conversar. Suas palavras são tônicas para a alma. Ouvi-las é beber a largos sorvos de uma fonte cristalina, onde nossa sede é saciada e nossas forças são renovadas. Outras, entretanto, são como veneno - matam. Como você se avalia na área de comunicação? Como Deus avalia você? O que as pessoas que o ouvem, pensam de você? Sua língua é instrumento de vida ou veículo de morte?

Diz John A. Mackay (1959, p. 133) que “[…] O objetivo fundamental do pensamento e do procedimento humanos é pensar e agir “como a verdade está em Jesus”... Para um cristão, aprender de Cristo neste sentido é abandonar a velha natureza, repudiar tudo que, em palavra ou ato, “pertence ao velho homem que se corrompe pelas concupiscências do engano” (4:22)... Então, Deus em Cristo deixa de ser apenas uma cópia a ser observada. Cristo, em quem Deus vem a nós, a imagem do Deus invisível e o agente da Sua vontade, torna-se nossa vida, a nossa verdadeira natureza...”

Comunicação Eficaz

O apóstolo dos gentios aborda no texto acima princípios áureos sobre comunicação. Não apenas princípios de comunicação negativos e positivos, mas bênçãos de Deus que produzem vida.

Comunicação Eficaz inclui deixar a mentira

Primeiro princípio: “Deixar a mentira do coração” - "Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira..." (vs. 25a, NVI). Há pessoas que amam a pureza de coração: “O que ama a pureza do coração e é grácil no falar terá por amigo o rei” (Pv 22.11). Contudo, outros são destruídos pelos próprios pecados que testemunham contra eles: “Porque as nossas transgressões se multiplicam perante ti, e os nossos pecados testificam contra nós; porque as nossas transgressões estão conosco, e conhecemos as nossas iniquidades, como o prevaricar, o mentir contra o SENHOR, o retirarmo-nos do nosso Deus, o pregar opressão e rebeldia, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade” (Is 59.12-13). Por isso, Jesus disse que o que sai da boca procede do coração e contamina a própria pessoa: “Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mt 15.18-19).

O deixar a mentira do coração deve ser “definitivo”; fruto de alguém que foi transformado, nasceu de novo. “[...] Para reforçar seu argumento contra a falsidade, Paulo apela não apenas para a lei moral que seus leitores conheciam tão bem. Ele insiste também em afirmar que os cristãos estão rompendo os laços de amor e comunhão a que foram trazidos, quando tentam enganar uns aos outros. Pertencem uns aos outros como membros do único corpo (Rm 12.5), de sorte que devem ser totalmente honestos uns com os outros... Mentira é um grande obstáculo para o funcionamento para o corpo... Não havendo franqueza e verdade, só pode haver desunião, desordem e problemas...” (Foulkes, 1963, p. 110).

Comunicação Eficaz inclui falar a verdade

Segundo princípio“Falar a verdade com o próximo” - "... cada um de vocês deve falar a verdade com seu próximo..." (vs. 25b, NVI). O apóstolo exorta aos cristãos que andem de forma digna de sua elevada posição que se encontra em Cristo: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (Jo 1.12-13).

Erdman (1975, p. 102-103) mostra que a linguagem paulina é cheia de constrastes entre o velho e o novo homem: “[...]Constituem uma lista compreensiva de vícios pagãos e de virtudes cristãs. A mentira se opõe à verdade, a ira ao perdão, o furto à beneficência, o falar corrompido à palavra edificante, a impureza à pureza, a agitação louca ao fervor espiritual... Nada divide e separa tanto aos cristãos como a mentira, a tergiversação, a suspeita, o partidarismo inescrupuloso. A confiança mutua é o vínculo essencial da comunidade cristã...”. Calvino (2010, p. 316) disse que “[...] da justiça do novo homem, flui todas as exortações piedosas, como um ribeiro de uma fonte... Paulo... põe a genuína justiça e santidade na verdade do evangelho... Aqui se usa mentira [falsidade] para todo gênero humano, hipocrisia ou astúcia; e, verdade para o trato honesto”.

Se deixar a mentira é algo definitivo, então, falar a verdade com o próximo é um "ato contínuo" na vida do discípulo. Paulo possivelmente está lembrando Zacarias 8.16-17 - “Eis as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo, executai juízo nas vossas portas, segundo a verdade, em favor da paz; nenhum de vós pense mal no seu coração contra o seu próximo, nem ame o juramento falso, porque a todas estas coisas eu aborreço, diz o SENHOR”.

Algumas pessoas pensam em ficar bem com as pessoas e traem a verdade do Senhor. No entanto, “[...] A melhor maneira de destruir a mentira é falando a verdade...” (Hendriksen, 1992, p. 270).



Comunicação Eficaz inclui falar palavras com graça e edificação

Terceiro princípio - “Falar palavras que edificam e transmitam graça” - "Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem" (vs. 29, NVI).

Paulo primeiro elimina toda expressão torpe da linguagem dos verdadeiros cristãos, que como lembra Calvino (2010, p. 319-320): “provoca excitamento erótico que costuma infeccionar a mente humana com a luxúria”. “[...] Palavra corrompida é aquela que está putrefata, podre; portanto também corruptora, perversiva, injuriosa...” (Hendriksen, 1992, p. 274).

Depois exorta seus ouvintes a que adequem a sua linguagem à edificação, isto é, àquilo que é útil. Uma boa medida (além da oração) é saturar o coração e a mente de todas as coisas que são puras e santas conforme Gl 5.22 e Fp 4.8-9. Reproduz também em Colossenses 4.6 palavras semelhantes: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” .



Como tem sido a sua comunicação?













Obras Citadas

Bíblia. (2000). Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida.

Bíblia. (2002). Bíblia Online 3.0. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.

Calvino, J. (2010). Comentário Gálatas - Efésios - Filipenses Colossenses. São José dos Campos/SP : Editora Fiel.

Erdman, C. R. (1975). La Epistola a los Efesios. Grand Rapids, Michigan/EUA: T.E.L.L.

Foulkes, F. (1963?). Efésios, Introdução e Comentário. São Paulo/SP: Edições Vida Nova e Editora Mundo Cristão.

Hendriksen, W. (1992). Comentário do Novo Testamento, Exposição de Efésios. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana.

Mackay, J. A. (1959). A Ordem de Deus e a Desordem do Homem (Efésios). São Paulo e Rio de Janeiro: União Cristã dos Estudantes do Brasil/SP e Confederação Evangélica do Brasil/RJ.

Severo, J. (01 de Janeiro de 2005). www.juliosevero.com. Acesso em 04 de Abril de 2011, disponível em Júlio Severo: http://juliosevero.blogspot.com/

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