CONTEXTO LITERÁRIO
“[...] A palavra “salmo” vem do grego psalmos que quer dizer um cântico ou um hino. A palavra hebraica para o livro é téhillîm e significa “louvores...” (Beyer, 2001, p. 304).
O livro contém uma coleção de cânticos do coração do povo e que refletem suas experiências pessoais. Podemos dizer que o livro dos Salmos eram o hinário do povo de Deus.
CONTEXTO HISTÓRICO
“Alguns conjecturam que Davi escreveu este salmo por ocasião da união entre as tribos, quando todos se reuniram, por unanimidade, para fazê-lo rei. É um salmo de uso geral para todas as sociedades, menores e maiores, civis e sagradas... As tribos de Israel há muito tempo tinham interesses distintos durante o governo dos juízes, e que muitas vezes era consequência do que era mau, mas agora que eles estavam unidos sob uma cabeça comum, pois ele teria os sensatos provavelmente para o seu benefício, especialmente porque agora a arca foi fixada no templo, e com ela o lugar de seu encontro para a adoração pública e se tornou o centro de sua unidade...” (Matthew Henry Commentary, BOL 3.0, tradução do comentário em inglês).
“[...] O salmista apresenta a bondade de Deus em termos elevados. E, como os judeus tinham grande experiência em antagonismo interno, que levou a nação quase à ruína, aprenderam o inestimável valor da união...” (Calvino, 2009, p. 437)
CONTEXTO TEOLÓGICO
O tema aqui, portanto, é a “comunhão dos santos”. Na Confissão de Fé de Westminster (1649, XXIV, II) temos a doutrina que reformados presbiterianos creem sobre comunhão:
“Os santos são, pela sua profissão, obrigados a manter uma santa sociedade e comunhão no culto de Deus e na observância de outros serviços espirituais que tendam à sua mútua edificação, bem como a socorrer uns aos outros em coisas materiais, segundo as suas respectivas necessidades e meios; esta comunhão, conforme Deus oferecer ocasião, deve estender-se a todos aqueles que em qualquer lugar, invocam o nome do Senhor Jesus. Ref. Hb.10:24-25; At.2:42,46; 1Jo.3:17; At. 11:29-30”.
CONTEXTUALIZAÇÃO
As pessoas, em geral, não conseguem estabelecer uma visão crítica sobre os ajuntamentos. Na verdade há uma grande diferença entre reunião e união. As pessoas podem reunir-se por preferências individuais próprias da pós-modernidade, como por exemplo, num teatro, num estádio de futebol e em outras aglomerações sem que estejam unidas. A união revela razões e sentimentos existenciais baseados na singularidade da criação de Deus, isto é, na humanidade criada como “imagem de Deus”, hoje distorcida pelo erro trazido pelos primeiros pais, Adão e Eva.
O texto trata da comunhão dos santos, mas essa não é a comunhão vivida pelos cristãos hoje em dia, pois a Igreja, muitas vezes, não é o lugar que faz os que crêem verdadeiramente “sentirem-se em casa”:
“[...]Com isto queremos afirmar que não basta ao crente ter o conhecimento da Palavra de Deus. Ele almeja sentir-se parte do grupo. Sim, ele espera ser edificado espiritualmente. Mas, inegavelmente, ele vai à igreja para ter comunhão com o povo de Deus...” (Juarez M. Filho, in “Amar e Crescer – O Fator Comunhão no Crescimento da Igreja” , 1999, p. 15).
No versículo um o salmista Davi exalta a excelência da comunhão entre irmãos: “Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!”.
A união é tal elemento evangelizador como a terra é para as plantas, a água para os peixes...
É o ambiente que favorece o crescimento. Vemos isso como um retrato na Igreja Primitiva:
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2.42-47).
SOLUÇÃO DE DEUS
Lendo o Salmo 133 com Atos 2 surge a pergunta: Como teremos uma união evangelizadora?
Note que, antes que alguém diga que isso não é importante, ouça o que um dos grandes reformadores apregoa:
“[...] Davi sugere que a vida do homem não teria vitalidade, seria inútil e miserável, se não fosse sustentada pela harmonia fraternal...” (Calvino [Salmos IV], 2009, p. 439).
Isso significa que para que exista a união fraternal torna-se imperioso resolver as animosidades, os rancores contra quaisquer pessoas. Torna-se necessário remover pesos e pecados através de Cristo (Hebreus 12.1-2; 1 João 1.9).
“[...] Enquanto as animosidades nos dividirem, e os rancores prevalecerem entre nós, sem dúvida podemos ser irmãos mediante um relacionamwento comum com Deus, mas não podemos ser considerados um só povo enquanto apresentarmos a aparência de um corpo quebrado e desmembrado. Como somos um em Deus, o Pai, e em Cristo, a união dever ser ratificada entre nós por harmonia recíproca e amor fraternal...” (Calvino [Salmos IV], 2009, p. 437).
APLICAÇÃO
Primeiro, a UNIÃO PROPICIA A UNÇÃO ESPIRITUAL (vs. 2) - “É como óleo precioso derramado sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Arão, até a gola das suas vestes”. O óleo da unção é prescrito em Êxodo 30.23-25. É usado somente para os sacerdotes. Por isso Deus tem uma nação de sacerdotes (1 Pe 2.9)
Segundo, a UNIÃO PROPICIA A BENÇÃO QUE VÊM DE DEUS (vs. 3a) - "É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor concede a bênção...". É o Senhor que abençoa e a sua bênção enriquece (Pv 10.22).
Terceiro, a UNIÃO PRODUZ VIDA ETERNA (vs 3b) - "É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor concede a bênção da vida para sempre [eterna]”. Quem crê em Jesus Cristo têm a vida eterna (Jo 3.36).
OBRAS CITADAS
Beyer, B. T. (2001). Descobrindo o Antigo Testamento: Uma Perspectiva Cristã. São Paulo/SP: Cultura tristã.
Bíblia OnLine 3.0. (1999). Baueri/SP: Sociedade Bíblica do Brasil.
Calvino, J. (2009). Salmos (vol. IV). São José dos Campos: Fiel.
Confissão de Fé de Westminster. (1991). São Paulo/SP: Casa Editora Presbiteriana.
Filho, J. M. (1999). Amar e Crescer - O Fator Comunhão no Crescimento da Igreja. Curitiba/PR: Descoberta.

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