sexta-feira, 1 de junho de 2012

Salmo 133 - União Evangelizadora


As pessoas vivem uma grande confusão. Estão descontentes, sempre buscando algo que nunca podem encontrar. Suas ações revelam essa confusão. Vemos isso nos relacionamentos, no trânsito, nas escolas, nas ruas, nas casas, nas construções, nas autoridades civis e até religiosas...


CONTEXTO LITERÁRIO 
“[...] A palavra “salmo” vem do grego psalmos que quer dizer um cântico ou um hino. A palavra hebraica para o livro é téhillîm e significa “louvores...” (Beyer, 2001, p. 304).

O livro contém uma coleção de cânticos do coração do povo e que refletem suas experiências pessoais. Podemos dizer que o livro dos Salmos eram o hinário do povo de Deus.


CONTEXTO HISTÓRICO 
“Alguns conjecturam que Davi escreveu este salmo por ocasião da união entre as tribos, quando todos se reuniram, por unanimidade, para fazê-lo rei. É um salmo de uso geral para todas as sociedades, menores e maiores, civis e sagradas... As tribos de Israel há muito tempo tinham interesses distintos durante o governo dos juízes, e que muitas vezes era consequência do que era mau, mas agora que eles estavam unidos sob uma cabeça comum, pois ele teria os sensatos provavelmente para o seu benefício, especialmente porque agora a arca foi fixada no templo, e com ela o lugar de seu encontro para a adoração pública e se tornou o centro de sua unidade...” (Matthew Henry Commentary, BOL 3.0, tradução do comentário em inglês).
“[...] O salmista apresenta a bondade de Deus em termos elevados. E, como os judeus tinham grande experiência em antagonismo interno, que levou a nação quase à ruína, aprenderam o inestimável valor da união...” (Calvino, 2009, p. 437)


CONTEXTO TEOLÓGICO

O tema aqui, portanto, é a “comunhão dos santos”. Na Confissão de Fé de Westminster (1649, XXIV, II) temos a doutrina que reformados presbiterianos creem sobre comunhão: 
“Os santos são, pela sua profissão, obrigados a manter uma santa sociedade e comunhão no culto de Deus e na observância de outros serviços espirituais que tendam à sua mútua edificação, bem como a socorrer uns aos outros em coisas materiais, segundo as suas respectivas necessidades e meios; esta comunhão, conforme Deus oferecer ocasião, deve estender-se a todos aqueles que em qualquer lugar, invocam o nome do Senhor Jesus. Ref. Hb.10:24-25; At.2:42,46; 1Jo.3:17; At. 11:29-30”.


CONTEXTUALIZAÇÃO 

As pessoas, em geral, não conseguem estabelecer uma visão crítica sobre os ajuntamentos. Na verdade há uma grande diferença entre reunião e união. As pessoas podem reunir-se por preferências individuais próprias da pós-modernidade, como por exemplo, num teatro, num estádio de futebol e em outras aglomerações sem que estejam unidas. A união revela razões e sentimentos existenciais baseados na singularidade da criação de Deus, isto é, na humanidade criada como “imagem de Deus”, hoje distorcida pelo erro trazido pelos primeiros pais, Adão e Eva.

O texto trata da comunhão dos santos, mas essa não é a comunhão vivida pelos cristãos hoje em dia, pois a Igreja, muitas vezes, não é o lugar que faz os que crêem verdadeiramente “sentirem-se em casa”: 
“[...]Com isto queremos afirmar que não basta ao crente ter o conhecimento da Palavra de Deus. Ele almeja sentir-se parte do grupo. Sim, ele espera ser edificado espiritualmente. Mas, inegavelmente, ele vai à igreja para ter comunhão com o povo de Deus...” (Juarez M. Filho, in “Amar e Crescer – O Fator Comunhão no Crescimento da Igreja” , 1999, p. 15).

No versículo um o salmista Davi exalta a excelência da comunhão entre irmãos: “Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!”.

A união é tal elemento evangelizador como a terra é para as plantas, a água para os peixes...

É o ambiente que favorece o crescimento. Vemos isso como um retrato na Igreja Primitiva:
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2.42-47).  


SOLUÇÃO DE DEUS 

Lendo o Salmo 133 com Atos 2 surge a pergunta: Como teremos uma união evangelizadora?

Note que, antes que alguém diga que isso não é importante, ouça o que um dos grandes reformadores apregoa: 
“[...] Davi sugere que a vida do homem não teria vitalidade, seria inútil e miserável, se não fosse sustentada pela harmonia fraternal...” (Calvino [Salmos IV], 2009, p. 439).

Isso significa que para que exista a união fraternal torna-se imperioso resolver as animosidades, os rancores contra quaisquer pessoas. Torna-se necessário remover pesos e pecados através de Cristo (Hebreus 12.1-2; 1 João 1.9).

“[...] Enquanto as animosidades nos dividirem, e os rancores prevalecerem entre nós, sem dúvida podemos ser irmãos mediante um relacionamwento comum com Deus, mas não podemos ser considerados um só povo enquanto apresentarmos a aparência de um corpo quebrado e desmembrado. Como somos um em Deus, o Pai, e em Cristo, a união dever ser ratificada entre nós por harmonia recíproca e amor fraternal...” (Calvino [Salmos IV], 2009, p. 437).


APLICAÇÃO 

Primeiro, a UNIÃO PROPICIA A UNÇÃO ESPIRITUAL (vs. 2) - “É como óleo precioso derramado sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Arão, até a gola das suas vestes”. O óleo da unção é prescrito em Êxodo 30.23-25. É usado somente para os sacerdotes. Por isso Deus tem uma nação de sacerdotes (1 Pe 2.9)

Segundo, a UNIÃO PROPICIA A BENÇÃO QUE VÊM DE DEUS (vs. 3a) - "É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor concede a bênção...". É o Senhor que abençoa e a sua bênção enriquece (Pv 10.22).

Terceiro, a UNIÃO PRODUZ VIDA ETERNA (vs 3b) - "É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor concede a bênção da vida para sempre [eterna]”. Quem crê em Jesus Cristo têm a vida eterna (Jo 3.36).


OBRAS CITADAS 

Beyer, B. T. (2001). Descobrindo o Antigo Testamento: Uma Perspectiva Cristã. São Paulo/SP: Cultura tristã.
Bíblia OnLine 3.0. (1999). Baueri/SP: Sociedade Bíblica do Brasil.
Calvino, J. (2009). Salmos (vol. IV). São José dos Campos: Fiel.
Confissão de Fé de Westminster. (1991). São Paulo/SP: Casa Editora Presbiteriana.
Filho, J. M. (1999). Amar e Crescer - O Fator Comunhão no Crescimento da Igreja. Curitiba/PR: Descoberta.


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