“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; ...para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para
outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens,
pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor,
cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem
ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação
de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em
amor.” (Efésios 4.1-3; 14-16, RA)
A comunhão dos crentes em
Cristo é um dos fatores imprescindíveis para a evangelização. Não é à toa que os teólogos
de Westminster reservaram o Capítulo XXVI da Confissão de Fé com o tema a
“Comunhão dos Santos”.
A comunhão cristã é ao mesmo
tempo, o ambiente que leva os crentes a saírem para evangelizar, bem como
receber aqueles que, já evangelizados ou não, vem à Igreja. O ambiente deve ser
piedoso e agradável, tornando o discipulado (Mt 28.19-20) parte intensa no
crescimento espiritual, como povo da Aliança de Deus.
Notamos no texto em apreço,
que Éfeso era uma cidade famosa da Lídia na Ásia Menor e capital da Ásia
proconsular. Era célebre por causa do Templo de Diana (At 19.27) e do seu
grande teatro. Em sua segunda viagem missionária, Paulo visitou essa cidade (At
18.19), deixando ali Áquila e Priscila para continuarem a obra do Senhor;
também na sua terceira viagem ele passou ali algum tempo até que Demétrio
levantou grande alvoroço contra ele (At 19.1, 22-41).
Paulo mostrou na carta que os crentes
de Éfeso estavam sendo arrastados por ventos
de doutrina, pela artimanha dos
homens e pela astúcia que induz ao
erro. Mostrou que uma mudança de atitude era necessária para que houvesse
uma comunhão evangelizadora, que produzisse crescimento. A unidade (vs. 3-6)
seria imprescindível para que houvesse crescimento, e, até que a “plenitude de Cristo” fosse
atingida (vs. 13). Apontou elementos
imprescindíveis.
O que é imprescindível na comunicação do Evangelho?
Primeiro é necessário “andar na vocação
do chamado” - "Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam. Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor" (vs. 1-2, NVI)
“[...] Quanto mais impulsionado um homem esteja
para aproveitar o seu estado, conforme a medida e tudo o que tenha recebido
para o bem espiritual do próximo, mais certamente poderá crer que possui a
graça do amor e da caridade sincera arraigada em seu coração...” (Matthew
Henry, 2004, p. 995).
O andar na vocação inclui a humildade (o que se opõe ao
orgulho) e mansidão (disposição de alma que faz com que as pessoas não estejam
prontas para provocar, que e não se sintam provocados ou ofendidos).
Esse andar
deve buscar a paz entre as pessoas: “[...] A Bíblia em momento nenhum, diz:
“Facilite para que os outros pequem contra você”. Em vez disso, ela providencia
um meio para lidar com o pecado de forma redentora. Romanos 12.18 diz: “Se
possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Lane &
Tripp, 2011, p. 100).
Segundo é necessário “seguir a verdade
em amor” - "O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor..." (vs. 14, 15a, NVI).
NÃO a “minha verdade”, mas a verdade do evangelho.
Não é um posicionamento pessoal, mas uma obediência à verdade de Deus já
existente, realizada. A verdade que atua através do amor. Tim Keller (2008, p.
186) assevera que falhamos quando nos tornamos estacionários ou autocentrados -
“[...] De acordo com Gênesis 3, quando nosso relacionamento com Deus desandou,
todos os outros nossos relacionamentos também desintegraram...” As imperfeições da igreja visível de Cristo
podem ser facilmente notadas. Por isso, observa-se que na Igreja, muitas vezes
não falta a verdade, mas falta o amor isto é, a melhor doação dos dons, dos
talentos e do tempo para a glória de Cristo.
O exemplo usado pelo
apóstolo é o Corpo de Cristo (vs. 16). Note as expressões que são usadas sobre
a Igreja - “corpo todo”, “bem ajustado e consolidado”, “segundo a justa
cooperação de cada parte”. O resultado é evidente: “efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor”.
A comunicação eficiente do Evangelho não depende tanto do método usado (eles são variados), mas de "andar no chamado cristão", de "seguir a verdade em amor" e de "crescer em Cristo".
Bibliografia
Bíblia.
(1998-2010). Bíblia Alfa Digital 1.3. Santo André/SP: Geográfica
Editora.
Bíblia.
(2002). Bíblia Online 3.0. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
Calvino, J.
(2010). Comentário Gálatas - Efésios - Filipenses Colossenses. São José dos
Campos/SP : Editora Fiel.
Casimiro, A.
D. (2011). 7a. Lição - A Bênção da Unidade. Estudos Bíblicos - Efésios e
Filemom. Santa Bárbara D'Oeste/SP: Z3, 31-35.
Henry, M.
(2004). Comentário Bíblico de Mattew Henry. Rio de Janeiro/RJ: Casa
Publicadora das Assembléias de Deus.
Keller, T.
(2008). A Fé na Era do Ceticismo. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda.
Tripp, T. L.
(2011). Relacionamentos - Uma Confusão que vale a pena. São Paulo/SP:
Cultura Cristã.


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