Os caminhos servem para
guiar-nos para o lugar que desejamos chegar. Assim são os princípios de Deus,
são caminhos que nos guiam para o lugar que o Senhor quer que cheguemos. Uma
rápida introdução ao “Pai Nosso”, no contexto reformado, mostra que existem princípios
basilares da oração que devem ser observados por aqueles que querem se
aproximar de Deus.
Jesus mostra inicialmente
(Mateus 6.5-8) três aspectos basilares. A oração envolve: não orar como
hipócritas judeus (vs.5), isto é como atores em representações;
orar dessa forma é como receber maldição nas próprias palavras. Envolve,
também, não orar como os presunçosos gentios (vs.7-8),
pois estes usam a verbosidade sem conteúdo (vãs repetições), não se deve
assemelhar-se a eles; deve-se buscar o conhecimento dos atributos soberanos de
Deus, pois Deus sabe o que temos necessidade, antes de pedirmos (Sl. 139.4).
Envolve, finalmente, orar como discípulo fiel - veladamente (vs.6), pois a
recompensa virá; o Senhor nos vê secretamente.
Calvino apresentou
princípios sobre oração para guiar o crente em sua comunhão com Deus:
PRIMEIRO, APROXIMAR-SE
REVERENTEMENTE DE DEUS: O reformador
dizia que devemos elaborar nossas orações “devida e corretamente”. Isso
significa que evitar o tipo de leviandade e frivolidade que recorre a Deus como
uma espécie de amigo celeste, o “homem de lá de cima”. Achegar-se
verdadeiramente à presença divina é ser “movido pela majestade de Deus” (Inst. III,
XX, 5).
SEGUNDO, ORAR
COM UMA PERCEPÇÃO SINCERA: de
necessidade, e penitentemente. A oração é mais do que murmúrios
piedosos. Deve vir do coração, “das profundezas”, como
disse o salmista. Empregou, para descrever a oração verdadeira, verbos que
frisam este princípio: na oração ansiamos, desejamos, temos fome, sentimos sede,
buscamos, pedimos, suplicamos, clamamos.
TERCEIRO, ABANDONAR
TODA CONFIANÇA EM NÓS MESMOS E HUMILDEMENTE SUPLICAR O PERDÃO DIVINO. Todo o propósito da oração, e na
verdade da vida cristã inteira, é a glória de Deus. Isso significa que qualquer
um que se põe diante de Deus para orar deve em verdadeira humildade abdicar “de
todo pensamento da própria glória, despir-se de toda noção de dignidade [própria], enfim,
afastar-se de toda confiança de si [mesmo]...” (Inst. m,
XX , 8).
QUARTO, ORAR
COM ESPERANÇA CONFIANTE: “... Assim
prostrados e subjugados de verdadeira humildade, sejamos, não obstante,
animados a orar, com segura esperança de alcançar resposta” (Inst. III, XX,
11). Calvino chegou a ponto de dizer que a única oração aceitável a Deus nasce
da “presunção da fé”.
Estes princípios servem
para guiar cada crente em sua oração íntima, mas também se aplicam às orações
comuns da igreja. De fato, Calvino afirmava que a parte principal do culto é o
“múnus da oração” (Inst. III, XX, 29). Ele não tinha paciência com
aqueles que alegavam que podiam adorar tão bem em casa quanto na igreja. A
oração pública deve ser simples. Dizia que o canto pertence ao ministério da
oração, embora ele advertisse que não devemos estar mais atentos à melodia do
que ao sentido espiritual das palavras.

Nenhum comentário:
Postar um comentário